capítulo 102

– O PRIMEIRO LUGAR ONDE A GENTE CAI SOZINHO

THEO

Eu sempre fui “o filho do William”.

Não importava o país. Nem a escola. Nem a idade.

As pessoas diziam meu nome, mas o sobrenome vinha primeiro no olhar.

No Canadá, isso não era diferente.

— Seu pai é aquele empresário, né? — perguntou um garoto novo no time de hóquei.

— É — respondi, seco.

Ele sorriu como se tivesse confirmado algo importante. Como se eu fosse menos eu depois disso.

No treino, joguei mal. Errava passes simples. Cheguei atrasado nas disputas.

O técnico percebeu.

— Cabeça fora do gelo hoje, Theo? — perguntou.

Assenti.

Mas não expliquei.

Porque algumas coisas a gente precisa entender sozinho antes de contar.

ANA

Ethan me ligou no meio da tarde.

— O Theo está estranho — disse, direto. — Mais fechado. Meio agressivo.

Fechei o notebook.

— Adolescência — respondi. — E identidade.

— Você acha que eu devo falar com ele?

Pensei por alguns segundos.

— Não como adulto — disse. — Como alguém que já se sentiu deslocado.

Ele riu.

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