– O PRIMEIRO LUGAR ONDE A GENTE CAI SOZINHO
THEO
Eu sempre fui “o filho do William”.
Não importava o país. Nem a escola. Nem a idade.
As pessoas diziam meu nome, mas o sobrenome vinha primeiro no olhar.
No Canadá, isso não era diferente.
— Seu pai é aquele empresário, né? — perguntou um garoto novo no time de hóquei.
— É — respondi, seco.
Ele sorriu como se tivesse confirmado algo importante. Como se eu fosse menos eu depois disso.
No treino, joguei mal. Errava passes simples. Cheguei atrasado nas disputas.
O técnico percebeu.
— Cabeça fora do gelo hoje, Theo? — perguntou.
Assenti.
Mas não expliquei.
Porque algumas coisas a gente precisa entender sozinho antes de contar.
ANA
Ethan me ligou no meio da tarde.
— O Theo está estranho — disse, direto. — Mais fechado. Meio agressivo.
Fechei o notebook.
— Adolescência — respondi. — E identidade.
— Você acha que eu devo falar com ele?
Pensei por alguns segundos.
— Não como adulto — disse. — Como alguém que já se sentiu deslocado.
Ele riu.
—