Os olhares começaram antes que qualquer palavra fosse dita.
Helena percebeu logo cedo, enquanto preparava o café da manhã. Arthur estava ali, apoiado discretamente no batente da porta, observando-a como quem tenta memorizar algo antes que mude. Não era um olhar invasivo, era atento, demorado, perigoso.
Ela sentiu antes de ver, virou-se devagar, encontrando os olhos dele. Nenhum dos dois sorriu, nenhum desviou. Foi Sofia quem quebrou o momento.
— O pão vai queimar! — avisou, sentada à mesa, com a naturalidade de quem não percebe a tensão, mas sente o calor.
Helena piscou, voltou-se para o fogão e desligou o fogo no instante certo. Arthur pigarreou, como se precisasse lembrar ao próprio corpo que ainda estava no controle.
— Bom dia. — disse, tarde demais.
— Bom dia. — Helena respondeu, com a voz firme demais para alguém que sentia o coração acelerar.
Durante o café, os olhares continuaram. Não constantes, mas recorrentes. Pequenos encontros visuais que duravam um segundo a mais do que o