O cais escuro nos oferece apenas uma saída: o carro alugado, ainda estacionado onde o deixamos, um objeto simples em meio ao cheiro de peixe e sal.
Nós três, Dante, eu e o homem que era Marcos Almeida, caminhamos em silêncio até o carro, as palavras foram gastas na fuga, na água salgada, no medo que ainda lateja nos músculos.
Dante abre o carro e Almeida entra no banco de trás, a mochila do dossiê apertada contra o peito como um bebê. Ele cheira a mar, a suor velho e a derrota antiga, Dante liga o motor e o aquecedor, o ar quente é um alívio brutal para nossos corpos encharcados e tremendo.
— Para onde? — pergunto, minha voz rouca de sal e tensão.
— Para longe da costa, um lugar para nos secar e para pensar, Leandro tem um contato em uma pousada na estrada, longe daqui, é um lugar seguro. — Dante fala e em seguida engata a marcha.
Dirigimos pelas estradas escuras, os faróis cortando a escuridão, não vemos nenhum outro carro, a paisagem é uma mancha escura. No banco de trás, Almeida f