A escuridão entre as pedras é úmida, fria e apertada. O cheiro é de musgo, água salgada parada e medo, o som das ondas é abafado, transformado em um rugido surdo que ecoa nas paredes de rocha, Almeida avança à frente, seus pés descalços encontrando apoio nas pedras escorregadias com uma familiaridade assustadora e Dante me empurra gentilmente para seguir, sua mão firme na minha cintura, um ponto de contato seguro no meio do pânico.
Eu vou, tropeçando entre as pedras, minhas mãos arranhando-se na rocha áspera para me equilibrar, a mochila com o dossiê nas costas de Dante parece um peso enorme, não não um peso físico, mas simbólico. Carregamos o passado mais sujo de todos, e agora ele nos persegue.
— Silêncio — sussurra Almeida, sua voz um arranhão no escuro.
O caminho é estreito, mas leva a uma caverna e da caverna dá para a praia do lado. Lá… talvez tenhamos chance.
Não pergunto chance de quê. De encontrar Zé? De nos escondermos? De lutar? O pensamento de Melissa, segura no sítio de