O outono chega com um sussurro, tingindo as bordas das folhas da amendoeira de um amarelo pálido. É uma mudança gradual, suave, como o próprio ritmo que nossas vidas assumiram, já não há mais sobressaltos bruscos, apenas a maré tranquila dos dias e como Dante costuma dizer, em tom quase de descrença, que estamos atingindo um "ponto de equilíbrio". Não é felicidade estridente, nem a euforia da vitória, é algo mais profundo e sustentável: uma calmaria no centro do ser.
Meu trabalho no Fundo Beatriz atinge um marco significativo: o memorial digital que o homem enlutado sugeriu está no ar. "Nomes, não Números" é o título simples, um site limpo, sem sensacionalismo, onde famílias podem submeter fotos, histórias curtas, datas. E cada entrada é um golpe no estômago e uma afirmação de vida.
Mostro a Dante a primeira página, com a foto da Cecília que gostava de cantarolar, ele fica olhando para a tela por um longo tempo, seus dedos pairando sobre o teclado.
— É isso, é exatamente isso. — ele