A paz do verão é uma coisa densa e dourada, como mel derramado sobre os dias, grudando nas memórias que estamos criando. A rotina da casa se solidifica em um ritmo que é, em si, um milagre cotidiano, Dante e eu nos revezamos entre o trabalho e Melissa com a precisão de uma dança bem ensaiada. Ele tem suas consultorias, que vão além das regras e controles para entender a mente por trás das escolhas erradas e eu tenho minhas viagens para o fundo, e a cada volta para casa é carregada de histórias que temperam nossa gratidão com uma pitada necessária de humildade, mas sempre há um de nós em casa, sempre. É uma promessa não dita, um antídoto silencioso contra os fantasmas do abandono que ainda, às vezes, assombram os cantos dos olhos da nossa menina.
Melissa continua com a curiosidade voraz de quem está redescobrindo o mundo palavra por palavra, e me pega desprevenida quando declara que quer aprender a cozinhar "coisas de verdade".
Dona Alzira, agora é uma visitante querida em vez de empr