A sentença de Viktor Salles deveria ser um alívio tão grande capaz de nos “derrubar”, como a remoção de um peso físico do peito, mas em vez disso, é um vácuo. A notícia dos cento e oitenta e sete anos chega e os portais explodem com a manchete, e depois… depois apenas o silêncio. O mundo segue. O nosso mundo, dentro destas paredes que ainda cheiram a tinta e esperança, fica estranhamente quieto.
Otto, deita aos meus pés suspirando. Dante está no escritório, já não é mais o homem que lutava contra um titã, e sim o consultor que analisa relatórios de conformidade para outras empresas e eu deveria estar no meu escritório do Fundo Beatriz, mas a energia para abrir o laptop e mergulhar em planilhas não vem então ele continua fechado. Fico olhando para o desenho de Melissa na geladeira, o pássaro amarelo voando para longe da mancha cinza.
O equilíbrio que construímos é uma coisa frágil, mas descobrimos que a paz não é a ausência de guerra, mas o constante ajuste fino para não cair no vazio