RYDER
A sala de espera do hospital nunca me pareceu tão pequena.
O ar é pesado, cheira a desinfetante e a medo. As cadeiras rangem quando alguém se mexe, mas ninguém diz quase nada. Só o bip distante de máquinas e o som ocasional de passos no corredor quebram o silêncio.
Estou sentado, cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas à frente do rosto. Ainda tremem.
O médico já veio. Disse as palavras que deviam ter sido um alívio absoluto:
— O bebé está a salvo. Foi um susto grande, mas não há sinais de perda iminente. Vamos mantê-la em observação.
O bebé.
O bebé.
A palavra ecoa na minha cabeça como um trovão que não acaba.
Eu devia estar só grato. E estou. Deus sabe que estou. O meu coração quase parou quando pensei que podia perdê-los — perder algo que eu nem sabia que existia.
Mas junto do alívio vem outra coisa. Uma coisa feia. Ardida. Cortante.
Traição.
Levanto os olhos e reparo nos outros.
A minha mãe está sentada com as mãos cruzadas, respirando fundo, os olhos húmidos, ma