RYDER
O dia nasce limpo, com o sol a espalhar-se pelo rancho como uma promessa silenciosa. O ar ainda é fresco, mas já traz aquele cheiro de mudança — a primavera está a caminho. Fico alguns segundos parado à porta do quarto, observando Savannah dormir. Ela virou-se para o meu lado da cama durante a noite, como se mesmo inconsciente precisasse ter a certeza de que eu ainda estou ali.
Ultimamente tem dormido mais de manhã. Às vezes, antes do jantar, encontro-a enroscada no sofá, cochilando. Digo a mim mesmo que é só o corpo a recuperar horas de sono… horas que eu lhe roubei quando desapareci. A culpa aperta-me o peito como um nó antigo que não sabe desatar.
Talvez seja por isso que a minha mãe a mima tanto agora. Rose tenta compensar, do jeito dela, o mal que eu causei à Savannah. E eu deixo. Porque sei que mereço cada olhar silencioso de reprovação que recebo quando penso em reclamar.
Já é meio da tarde quando Savannah passa por mim na cozinha.
— Vou até Creekville — diz, calçando os