Roubada no Altar pelo Mafioso

Roubada no Altar pelo MafiosoPT

Máfia
Última actualización: 2026-07-23
Rowan Ash  En proceso
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Resumen
Índice

Charlotte Beaumont está prestes a dizer “sim” a Julian Langford na Abadia de Westminster, em Londres. O casamento perfeito, a união esperada, a vida segura que todos desejavam para ela. Até as portas se abrirem. Um homem loiro de olhos azuis intensos invade a cerimônia como se tivesse direito absoluto sobre ela. Ele a chama de Siobhan. Diz que ela era sua esposa. Que dormiu em sua cama. Que deu à luz sua filha. E que ele matou por ela. Charlotte não se lembra de nada. Nem do nome. Nem do homem. Nem da vida que ele alega ter pertencido a ela. Mas seu corpo reage. Sua pele reconhece. Seu instinto grita perigo… e algo muito mais perigoso ainda. Arrancada do altar e jogada de volta para um passado que não existe em sua memória, Charlotte se vê prisioneira de um homem que não aceita a palavra “não” — e que está determinado a fazê-la se lembrar, custe o que custar, mesmo que, para isso, tenha que destruí-la de novo.

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Capítulo 1

CAPÍTULO 1

A chuva açoita os vitrais da Abadia de Westminster, em Londres, enquanto repito as palavras que supostamente selarão o resto da minha vida.

“Eu, Charlotte Beaumont, aceito você, Julian Langford, como meu legítimo esposo…”

Minha voz sai fraca. Instável. Errada.

O véu pesado cobre meu rosto como uma sentença, abafando o mundo, tornando tudo distante e nebuloso. Julian aperta minhas mãos com muita força — seu aperto é forte demais, possessivo demais. Quando levanto os olhos, encontro seu sorriso: confiante, satisfeito, quase triunfante.

Como se ele já tivesse vencido.

Como se ele soubesse que, depois desta noite, eu lhe pertencerei para sempre.

Eu deveria me sentir feliz. Protegida. Segura.

Mas algo dentro de mim está gritando.

Errado.

Então as portas da abadia se abrem com estrondo.

O estrondo rasga o ar. A madeira estilhaça. Gritos ecoam por toda parte. O órgão para de tocar no meio de uma nota, deixando um silêncio grotesco antes que o caos engula tudo.

Meu coração explode no peito.

Homens armados invadem o corredor central.

Três abrem caminho. O do meio é loiro, alto, de ombros largos e veste preto. A chuva escorre pelo seu terno como se ele tivesse atravessado a tempestade só para chegar até mim. Mas não é a chuva que me aprisiona.

São os olhos dele.

Azul. Feroz. Fixado em mim com uma intensidade tão brutal que me rouba o ar dos pulmões.

Como se eu fosse o único ser vivo em toda esta abadia.

Julian solta minhas mãos imediatamente e se coloca na minha frente.

“Quem diabos é você?” Ele ruge, sua voz ecoando pelas paredes. “Isto é um casamento. Saia daqui agora mesmo.”

O loiro não diminui o ritmo.

Ele continua caminhando em direção ao altar, passo a passo, como se nada neste mundo pudesse detê-lo. Como se cada centímetro da distância entre nós já lhe pertencesse.

Atrás dele, mais homens vestidos de preto se espalharam pelas laterais, cercando os convidados, bloqueando todas as saídas e transformando a abadia em uma prisão.

Um deles — moreno, de olhar gélido — pressiona o cano de uma arma contra a nuca de Julian.

“Um movimento seu”, diz ele com uma calma aterradora, “e eu pintarei o altar com seus miolos, Langford.”

Julian congela.

A raiva ainda arde em seu rosto, agora misturada com choque.

Tento dar um passo para trás. O vestido pesado me prende.

Sinto um nó no estômago.

“Não, não...”

O loiro sobe os degraus do altar sem hesitar. Sem pedir permissão. Sem medo. Então, seu braço me envolve pela cintura como aço.

“Me solta! Me solta!” Eu grito, me debatendo no instante em que sou puxada contra o corpo dele.

Ele é sólido. Firme. Perigoso.

Seu perfume me atinge primeiro — chuva, madeira escura e algo selvagem, bruto e insuportavelmente masculino. Algo que não deveria me afetar.

Mas acontece sim.

Meu corpo reage antes que minha mente consiga acompanhar.

“Siobhan”, ele rosna, a voz baixa e rouca, carregada de dor e possessão, tudo misturado.

Eu fico paralisada por um instante.

Siobhan?

“Meu nome é Charlotte!” Cuspi, lutando com todas as minhas forças. Minhas unhas arranharam seu pescoço, fazendo-o sangrar. “Me solta, seu psicopata!”

Ele arranca o véu com a mão livre.

Nossos olhares se cruzam.

O mundo inteiro se inclina.

Por um segundo, algo profundo e visceral me atravessa enquanto encaro aqueles olhos azuis. Um calor estranho inunda meu corpo — rápido, violento, doloroso. Minha pele arrepia. Meu coração dispara de uma forma que não é apenas medo.

É como se meu corpo o reconhecesse.

É como se uma parte esquecida de mim já soubesse exatamente quem ele é.

Mesmo que minha mente não entenda.

Mesmo que minhas memórias gritem vazio.

Então ele sorri.

Frio. Escuridão. Fome.

“Você não pode se casar com ele”, diz ele, com uma voz que soa como promessa e ameaça ao mesmo tempo. “Se já é casada comigo.”

Antes que eu pudesse reagir, ele passou um braço por trás dos meus joelhos e me jogou por cima do ombro como se eu não pesasse nada.

O mundo vira de cabeça para baixo.

Meu vestido sobe. O sangue sobe à minha cabeça. A humilhação me atinge com a mesma força do pânico.

“Me solta! Você está louco! Eu nem sei quem é você. Socorro! Julian!” Eu grito, chutando descontroladamente e golpeando suas costas com toda a força que tenho.

Sua mão aperta minha coxa com força.

Firme. Possessivo. Reivindicador.

“Quieta, meu bem”, ele murmura, carregando-me pelo corredor como um troféu. “Você vai se lembrar de mim.”

Meu corpo inteiro fica rígido.

“Ou eu farei você se lembrar.”

Julian tenta se libertar, com o rosto vermelho de fúria.

“Tirem as mãos dela, seus desgraçados!” Ele grita. “Charlotte!”

Um dos homens desfere um soco brutal em seu estômago. Julian se curva, ofegante, enquanto a arma permanece pressionada contra sua cabeça.

Ninguém vem me salvar.

Ninguém consegue.

A chuva nos atinge como facas de gelo enquanto ele me carrega para fora da abadia. O céu de Londres é um borrão escuro. Flashes. Gritos. Pneus cantando. Portas batendo.

Ele me jogou no banco de trás de um SUV blindado preto e entrou logo em seguida, batendo a porta com força.

Imediatamente, em desespero, corro para o lado oposto e puxo a maçaneta com força.

Trancado.

“Não, não, não…”

Ele me puxa de volta pelos quadris com uma força humilhante e me prende sob seu corpo.

Pesado. Inescapável. Quente demais.

“Por favor…” Minha voz falha. “Eu não te conheço.”

Lágrimas quentes escorrem pelo meu rosto.

Ele agarra meu queixo entre os dedos e me obriga a olhar para ele.

Aqueles olhos azuis são mais selvagens de perto. Mais intensos. Mais insanos. Há dor neles. Ódio também. E uma fome sombria e possessiva, tão profunda que me faz tremer por inteiro.

“Você me conhecia melhor do que qualquer outra pessoa neste mundo maldito”, ele rosna. “Você dormiu na minha cama. Você deu à luz, minha filha. E eu matei por você.”

Meu sangue se transforma em gelo.

Não.

Isso não pode ser verdade.

“Agora você está voltando para casa. Para mim.”

O carro arranca em alta velocidade pelas ruas encharcadas de Londres.

Eu luto. Empurro. Choro. Tento me libertar de seu aperto, de seu peso, de sua presença opressora.

Inútil.

Com uma mão, ele prende meus pulsos acima da minha cabeça. A outra desliza pela curva do meu corpo num gesto lento e possessivo, como se estivesse reafirmando seu domínio.

“Lute o quanto quiser”, ele sussurra, com a boca perigosamente perto da minha. “Quanto mais você resistir…”

Sua voz fica mais grave. Mais sombria.

“… mas eu vou gostar de te destruir novamente.”

Viro o rosto, tremendo.

Mas, no fundo do peito, aquele calor insuportável ainda queima.

Uma faísca.

Um eco.

Uma memória sem rosto.

E enquanto Londres desaparece atrás da cortina de chuva, eu entendo — com um terror gélido percorrendo minhas veias — que minha vida acaba de ser arrancada de minhas mãos.

Roubada por um homem que alega ser meu marido.

Um homem de quem não me lembro.

Mas que claramente nunca se esqueceu de mim.

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