CAPÍTULO 2

O SUV rasga as ruas encharcadas de chuva de Londres como uma fera desesperada fugindo de um destino sombrio. No banco de trás, continuo me debatendo, presa sob seu peso, meus pulsos frágeis esmagados por uma de suas mãos firmemente pressionada acima da minha cabeça.

Cada movimento meu parece apenas intensificar seu desejo — consigo sentir claramente a pressão firme do seu corpo contra minha coxa, um lembrete perturbador de exatamente onde estou.

“Me solta!” Grito, com a voz rouca de tanto chorar. “Eu não te conheço! Socorro!”

Ele solta uma risada baixa, um som grave que vibra contra meu pescoço. Então, ele enterra o rosto ali, inspirando profundamente, como se estivesse se embriagando com meu cheiro.

“Você vai se acostumar a me conhecer de novo, meu bem”, ele murmura contra minha pele, roçando os dentes no ponto logo abaixo da minha orelha.

Um arrepio violento percorre meu corpo, e eu odeio meu corpo por reagir dessa forma.

O homem no banco do motorista — um dos outros loiros — solta uma risada rouca que ecoa pelo carro escuro.

“Quer que eu aumente o volume da música, chefe? Para abafar os gritos dela?”, pergunta ele, num tom zombeteiro que me faz sentir ainda mais exposta.

“Não”, responde o loiro, que me segura, seus olhos devorando cada expressão do meu rosto. “Quero ouvir cada som que ela fizer. Cada soluço. Cada súplica.”

Tento acertá-lo com o joelho. Ele prende minhas pernas com as dele e esfrega os quadris nos meus com tanta força que sinto exatamente o quanto ele está excitado. Pânico e humilhação queimam em minhas bochechas.

“Pare… por favor…” Minha voz falha. Lágrimas escorrem pelo meu rosto, arruinando o que restava da minha maquiagem de noiva. O vestido branco está destruído, encharcado de chuva e sangue. “Eu ia me casar… Julian…”

No instante em que o nome sai da minha boca, todo o seu corpo enrijece. Ele agarra meu queixo com força brutal, obrigando-me a olhar para ele. Seus olhos azuis estão negros de fúria.

“Nunca mais diga o nome dele na minha frente”, ele rosna entre dentes cerrados. “Aquele filho da puta roubou você de mim.”

Eu soluço, virando o rosto o máximo que consigo.

“Você está me confundindo com essa tal de Siobhan… Meu nome é Charlotte…”

Ele ri. Um som baixo, quebrado, perigoso.

“Você é Siobhan Gallagher. Minha esposa. Mãe da nossa filha Aoife. E eu vou te lembrar disso, mesmo que eu tenha que transar até a última dúvida sair da sua cabeça.”

O carro para abruptamente em um hangar privado. Outro homem já está esperando ao lado de um jato particular. O loiro que me segura me tira do SUV novamente, me jogando por cima do ombro como se eu fosse um objeto.

Eu chuto, soco suas costas e grito até minha garganta queimar.

“Socorro! Alguém me ajude! Ele está louco!”

Ninguém vem. Ninguém pode.

Ele sobe as escadas do jato comigo. Assim que entramos na cabine luxuosa, ele me j**a no sofá de couro. Tento correr para a porta, mas ele me agarra pela cintura e me prensa contra a parede da cabine, pressionando todo o seu corpo contra o meu.

“Não há mais escapatória”, ele sussurra no meu ouvido, uma das mãos deslizando para baixo até apertar minha bunda por cima do vestido rasgado. “Vamos para casa. Para Dublin. Para nossa filha e para a vida que você esqueceu.”

Estou chorando baixinho agora, meu corpo inteiro tremendo contra o dele.

“Por favor… eu tenho uma família… Julian deve estar…”

Ele me vira para encará-lo e segura meu rosto com as duas mãos, seu polegar enxugando uma lágrima com uma falsa delicadeza que me aterroriza.

“Julian vai sangrar por ter tocado no que é meu. E você…” Ele roça os lábios nos meus, sentindo o gosto salgado das minhas lágrimas. “Você vai aprender a amar de novo o homem que te trouxe de volta dos mortos.”

Os outros dois homens embarcam no jato. Um fecha a porta com um último clique pesado. O outro se j**a no sofá, rindo.

“Seis anos esperando por isso. Bem-vinda de volta, Siobhan.”

Eu os encaro com puro terror.

“Vocês… vocês estão todos ajudando ele…”

“Somos irmãos”, responde o moreno, frio e calmo, já abrindo um laptop. “E você é a mulher do nosso irmão.”

O loiro me carrega até o quarto na parte de trás do jato e tranca a porta atrás de nós.

Dou um passo para trás até que minhas pernas toquem a cama king-size, com os olhos arregalados de pavor.

“Não se aproxime de mim.”

Ele tira o casaco molhado e depois a camisa, revelando um peitoral musculoso e tatuado. Uma das tatuagens é o meu rosto. No pescoço, ele usa uma corrente de prata com uma aliança. Meus olhos se fixam nela. Algo se agita dentro de mim novamente — aquele mesmo calor estranho e confuso que senti quando olhei em seus olhos na abadia.

“Isso… isso é…”

“Sua”, conclui ele, aproximando-se lentamente de mim. “Assim como você.”

Tento correr para o banheiro. Ele me agarra pela cintura, me j**a na cama e sobe em cima de mim, prendendo meus pulsos acima da minha cabeça com uma das mãos.

“Seis anos, Siobhan”, ele rosna, arrastando a boca pelo meu pescoço, chupando e mordendo minha pele. “Seis anos sem te tocar. Sem te sentir. Sem te ouvir gemer meu nome.”

Eu soluço, mas meu corpo traiçoeiro reage — meus mamilos endurecem contra o vestido úmido, e minhas coxas se apertam levemente ao redor dele.

“Não me lembro de você… por favor…”

Ele levanta a cabeça e olha diretamente nos meus olhos.

“Então eu farei você se lembrar. Começando agora mesmo.”

Sua mão livre desliza pelo meu corpo e rasga o vestido de noiva até a minha cintura.

O jato começa a taxiar pela pista.

E, enquanto Londres fica para trás, compreendo com absoluto terror que esse homem não vai parar até me destruir completamente.

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