Ayres
A batalha havia acabado, mas dentro de mim o caos continuava. O pátio da alcateia estava coberto de sangue, corpos caídos e rastros de fogo ainda fumegavam nas bordas das casas.
Guerreiros recolhiam os feridos, mães choravam em silêncio, crianças eram carregadas no colo como tesouros frágeis. Eu devia estar junto deles, orientando, mandando, sendo o Alfa que todos esperavam.
Mas não conseguia.
Meus pés me arrastavam para longe, como se a terra tivesse decidido o caminho por mim. Eu estava cansado demais para lutar até contra isso.
A respiração vinha curta, o ombro latejava, a pele ardia onde o corte ainda sangrava. Cada músculo pedia descanso, mas havia algo mais forte me puxando.
O cheiro.
Mesmo entre o sangue e a fumaça, ele estava ali. Rosas com chuva. Fresco, doce e ao mesmo tempo firme, como se tivesse nascido para se sobressair em meio à destruição. Era impossível. Mas era real.
— Está sentindo também? — perguntei por dentro.
Fenrir respondeu num rosnado que não deixava