Samantha
Voltamos já com a lua subindo, branca e atenta. Ao entrar no pátio, o clã se reuniu sem alarde, olhos brilhando de expectativa. Não era uma recepção de gritos, era uma acolhida que se sente na pele. Maelin veio à frente, os braços cruzados, um sorriso pequeno que, nela, sempre vale muito.
— Conduziu? — perguntou.
— Conduzi. — respondi.
— Protegeu?
— Protegi.
— Escutou?
— Escutei.
Ela então desatou o colar de contas do próprio punho e amarrou no meu braço, abaixo das marcas prateadas. Um gesto simples, sem discurso, e, por isso, imenso.
O pátio se acalmou, e eu percebi que aquele era o momento em que deixava de ser só aprendiz, era ponte, como a Deusa havia dito. Não só entre nós e os outros, mas entre o que eu fui e o que estou escolhendo ser.
Os meus, sem cerimônia teatral, inclinaram o rosto em assentimento. Não usei a palavra proibida que tanto se repete por aí. Eles não se curvaram a mim, se alinharam comigo. E, nesse alinhar, eu cabi. Finalmente, eu cabi.
Mesmo assim,