Samantha
Maelin me aguardava no pátio como se soubesse que eu voltaria diferente. Oren alinhava armas sem fazer barulho. Lysa moía ervas, e o som do pilão era um pulso antigo convocando o dia.
— Você caminhou longe. — disse Maelin, sem perguntar nada.
— Ela falou comigo. — respondi, a voz num lugar seguro — Disse que meu destino não é ser vítima. É ser escolha viva. Ponte.
Os olhos de Maelin brilharam, úmidos e firmes.
— Eu reconheço essa voz. — sussurrou — Quando ela fala, o corpo entende antes da mente.
Oren me examinou com um meio sorriso.
— Então hoje a gente treina com uma ponte? — brincou, leve.
— Hoje a gente treina com alma. — devolvi, no mesmo tom — E com fronteira.
Passei a manhã inteira trabalhando o que a Deusa tinha pedido, convocar em vez de impor. O exercício era simples e abissal, abrir o peito como quem abre janela, alinhar respiração e gesto, falar com a energia e não contra alguém.
No primeiro comando, dois guerreiros cederam sem luta, no segundo, Davo resistiu