Ayres
O salão dos Anciãos tinha o mesmo cheiro de sempre… pedra úmida, incenso queimado até o talo e o perfume das madeiras velhas que sustentavam o teto. Mas naquela manhã, havia algo mais no ar, um peso. O tipo de peso que não se explica em palavras, apenas se sente dentro de nós.
Eu atravessei o corredor com passos medidos. Os guerreiros abriram espaço, mas não por reverência limpa. Era espaço de desconfiança. E eu senti cada olhar cravado nas minhas costas.
Os Anciãos já me esperavam. Sete figuras em semicírculo, cada um mais enrugado e mais teimoso do que a rocha sobre a qual estávamos sentados. O mais velho, Marek, ergueu o queixo primeiro.
— Alfa Greene. — A voz dele saiu grave, arranhada — Chegou a hora de falarmos do que não pode ser ignorado.
— Então falem. — respondi, tomando meu lugar na cadeira de pedra no centro. A cadeira que deveria representar autoridade. Hoje, parecia banco de réu.
Marek trocou olhares com os demais, como se medisse quem teria coragem de dizer o que