Samantha
A madrugada tinha um jeito de vidro limpo naquela altitude. O clã dormia com o cansaço bom de quem trabalhou o corpo e acalmou a mente. Eu, porém, buscava outra coisa.
Subi sozinha até o afloramento de pedra que Maelin chamava de “escuta alta”: uma coroa de rochas abertas para o céu, onde o vento parecia falar uma língua mais antiga do que qualquer juramento.
Sentei com as pernas cruzadas, as palmas voltadas para cima sobre os joelhos, o queixo paralelo ao horizonte. A respiração veio em três tempos, entrar, segurar, sair, até o coração ajeitar os batimentos. A Lua estava inteira. Tinha a cor de leite derramado e um brilho que não feria os olhos, só os abria por dentro.
— Estou aqui. — disse, num sopro — Não como quem pede, mas como quem aprende.
Arwen deslizou por dentro do meu peito e deitou a cabeça, vigilante, mas mansa.
— “Eu fico. Observando o lado de fora enquanto você caminha por dentro.” — ela disse com ternura.
Fechei os olhos e contei quinze batidas do coração. No