Samantha
Acordei com o corpo inteiro vibrando, a respiração presa num soluço. A cama, o teto de madeira, a tigela de água, tudo no lugar. Mas dentro de mim, algo ainda ardia. Um orgasmø me atravessou de verdade, tardio, como se o sonho tivesse demorado a largar meu corpo. Levei a mão ao ombro, o ponto exato onde ele me marcou no sonho, e a pele doeu de saudade de uma ferida que não existia.
— Arwen… — minha voz saiu mínima.
— “Eu vi.” — ela respondeu, sem pudor, com ternura. — “E vai acontecer. Demore o tempo que for, vai acontecer.”
Eu me sentei, o coração aos pulos de confusão. Parte de mim queria abraçar a promessa. Outra parte quis erguer muralha.
— Não. — falei, firme, mais para mim do que para ela — Eu não posso viver de espera. Eu não vou girar minha vida ao redor de um homem que me rejeitou. Eu sou sacerdotisa. Eu sou escolha.
Arwen não recuou.
— “Você é tudo isso. E ainda assim sente. Não é fraqueza. É prova de que está viva.”
— Eu sei. — sussurrei, e o saber doeu — Mas hoje