Ayres
O treino no pátio da fortaleza sempre foi meu território de certeza. Ali não havia espaço para dúvidas, apenas golpes, suor e disciplina. Hoje, porém, enquanto ajustava o manto nos ombros e via meus guerreiros alinhados diante de mim, senti algo diferente, um peso na carne que não tinha nome, como se meu corpo já soubesse que ia falhar.
— Em posição. — ordenei.
Joran, meu segundo, se adiantou. Os demais formaram um semicírculo. O sol batia forte, refletindo nas armas. Respirei fundo, chamei Fenrir para a superfície. O rugido interno veio, mas hesitante.
— “Agora, Ayres. Mostra a eles.”
Meu corpo respondeu, mas com atraso. Ossos que deveriam alongar-se pareceram resistir, músculos tremiam como se não reconhecessem a ordem. Por um instante, a transformação falhou. Em vez da fera completa, fiquei preso em algo incompleto, garras surgindo e recuando, olhos ardendo sem fixar, um meio-lobo desajeitado.
O silêncio que caiu foi mortal. Guerreiros que já me viram atravessar cinco caçadas