MESES ANTES
Acordo com o ar faltando e me sento na cama com um salto, o peito ardendo como se eu tivesse acabado de me salvar de um afogamento.
O cheiro de fogo e de terra úmida ainda estão no meu nariz, a mesma sensação claustrofóbica de sempre esmagando o meu peito.
Encaro minhas unhas, latejando, como se elas ainda estivessem cravadas na terra, as mãos ardendo pelas raízes grossas que eu tive que arrebentar para sair daquela escuridão.
Então, puxo o ar com tanta força que dói. Em volta de mi