TARYN
Digo a mim mesma que vou falar com ele.
Repito isso enquanto caminho pelos corredores, enquanto desço as escadas, enquanto atravesso o salão vazio. Mas toda vez que imagino a cena, a mesma pergunta retorna, insistente:
Como?
Como dizer que encontrei um frasco no quarto de Kalinda sem parecer uma acusação desesperada? Como explicar que mexi nas coisas dela? Como provar que aquilo não saiu das minhas mãos?
Seria minha palavra contra a dela.
Sempre foi.
O dia avança lento, pesado. Evito os espaços onde posso ser vista pelos empregados, os lugares onde cochichos nascem fácil. Acabo na estufa, o único ponto da casa onde o silêncio é bem-vindo.
Ali, o ar é úmido e morno. Cheira a terra e folhas esmagadas. Ajoelho-me perto dos canteiros que cultivei com as próprias mãos. Morangos pequenos, quase prontos. São meus. Algo que cresceu porque cuidei, porque tive paciência.
Passo os dedos por uma das folhas e respiro fundo.
É quando noto algo diferente.
Uma planta mais ao fundo, parcialmente