TARYN
Kalinda fecha a porta com cuidado excessivo.
O clique da fechadura soa definitivo, como se tivesse selado algo que não pode mais ser desdito. As servas ficam do lado de fora. O silêncio que se instala entre nós é denso, carregado de promessas ruins.
— Agora pode falar — digo. — Estamos sozinhas.
Kalinda se vira devagar. O rosto está calmo, bonito, quase sereno. É a mesma expressão que usou no funeral de Ronan, a mesma que exibiu enquanto todos choravam por ele.
— Sozinhas? — ela murmura. — Nunca estamos sozinhas, Taryn. Apenas menos observadas.
Dou um passo à frente.
— Você o matou.
Não levanto a voz. Não preciso. A acusação paira no ar, pesada.
Kalinda me encara por um instante longo demais. Depois sorri.
Não é um sorriso de culpa. É de condescendência.
— Sim — responde. — Eu precisava ter certeza de que ele não sobrevivesse.
Meu estômago se contrai.
— Por quê?
Ela se aproxima, o vestido claro roçando o chão de pedra.
— Porque Ronan era um erro. Um risco. — Inclina a cabeça. —