47

TARYN

Kalinda fecha a porta com cuidado excessivo.

O clique da fechadura soa definitivo, como se tivesse selado algo que não pode mais ser desdito. As servas ficam do lado de fora. O silêncio que se instala entre nós é denso, carregado de promessas ruins.

— Agora pode falar — digo. — Estamos sozinhas.

Kalinda se vira devagar. O rosto está calmo, bonito, quase sereno. É a mesma expressão que usou no funeral de Ronan, a mesma que exibiu enquanto todos choravam por ele.

— Sozinhas? — ela murmura. — Nunca estamos sozinhas, Taryn. Apenas menos observadas.

Dou um passo à frente.

— Você o matou.

Não levanto a voz. Não preciso. A acusação paira no ar, pesada.

Kalinda me encara por um instante longo demais. Depois sorri.

Não é um sorriso de culpa. É de condescendência.

— Sim — responde. — Eu precisava ter certeza de que ele não sobrevivesse.

Meu estômago se contrai.

— Por quê?

Ela se aproxima, o vestido claro roçando o chão de pedra.

— Porque Ronan era um erro. Um risco. — Inclina a cabeça. —
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