Onde Mora a Semente da Dúvida
Ava acorda com o som do telefone fixo tocando na cozinha. É cedo, talvez nem seis da manhã. A luz ainda é fria, tímida, filtrando-se pelas frestas das janelas. Ela se senta na cama, um pouco zonza, e sente o bebê se mexer um leve movimento, como um aceno mudo, íntimo. Sorrindo, ela desce as escadas descalça, enrolada em um robe azul.
Matilde já está de pé, com o telefone no ouvido e o cenho franzido.
— Quem era? Pergunta Ava, bocejando.
Matilde demora um segundo