A luz branca do quarto hospitalar parecia cortar o ar.
Luísa abriu os olhos devagar, como quem desperta de um mergulho profundo e doloroso.
A visão estava turva.
A boca seca.
Um peso no corpo que não sabia explicar.
Por um instante, não entendeu onde estava.
Não lembrava de ter deitado ali.
Só de Arthur, a discussão, o medo… e depois, nada.
Quando tentou mover a mão, sentiu algo quente segurando a dela.
Arthur.
Sentado ao lado, com a cabeça baixa, como se tentasse encolher o próprio corpo.
A barba por fazer, os olhos vermelhos, a culpa escorrendo pelos gestos.
— Arthur…? — a voz dela saiu fraca, arranhada.
Ele levantou a cabeça na hora, como alguém que estava prestes a se afogar.
— Lu… você acordou. Graças a Deus.
Ela piscou.
Sentiu uma pontada na barriga.
— Tá doendo… o que aconteceu? O que…?
Arthur engoliu seco.
O médico, que observava os sinais na ponta da cama, interveio antes dele falar.
— Luísa, precisamos conversar com calma.
Ela tentou se apoiar, mas Arthur colocou a mão no om