Selene
A lua estava alta, subia devagar, como se quisesse ver de perto o que eu ia fazer. Eu também. Passei os dedos pela lateral do vestido azul-escuro até sentir o peso familiar da adaga contra a coxa.
Não por medo. Por memória. Às vezes eu ainda acordava com cheiro de sangue no altar. Às vezes eu ainda ouvia o “isca” sussurrado na pele. Hoje, a palavra queimava de outro jeito: no olhar.
O salão do banquete abria-se como um peito orgulhoso. Tochas acesas, bandeiras ao alto, mesas corridas de