Na manhã da quarta-feira, Clara acordou com a luz invadindo o ateliê devagar, tocando a tela principal como se fosse cúmplice do que ela tinha feito ali.
Era o dia da montagem na galeria.
O apartamento estava cheio de caixas, molduras envoltas em plástico bolha, etiquetas feitas à mão com títulos como “Entre o silêncio e o sim”, “Quando ele me viu pela primeira vez”, e um mais simples: “Coração com delay”.
Clara andava de um lado pro outro, cabelo preso em um coque apressado, camiseta velha com