Ela…
Nunca fui boa em manter mágoas, mas também nunca fui boa em fingir que nada aconteceu.
Desde que soube a verdade sobre meu pai, sobre tudo que me foi escondido, um muro invisível se ergueu entre mim e algumas pessoas.
Lúcio era uma delas.
Alguém que esteve presente, constante, mas que também escolheu o silêncio quando eu mais precisava de respostas.
E, por mais que eu tentasse ignorar isso, algo dentro de mim doía toda vez que pensava nisso.
Por isso, quando ele apareceu na minha sala, com aquele olhar cansado e o andar um pouco mais lento do que o normal, eu sabia que ele tinha algo a dizer.
Ele sempre teve essa coisa de deixar o silêncio falar antes das palavras.
Como se precisasse da pausa para se reorganizar por dentro.
— Tem um minuto? — ele perguntou, parando na porta da minha sala.
Assenti, mesmo sem ter.
Porque, no fundo, eu esperava por isso.
Ele entrou e fechou a porta com cuidado, como se soubesse que o que viria a seguir não era só uma con