Autora…
O relógio marcava sete da noite quando senhor Baker se trancou em sua sala no apartamento da cobertura.
Havia um silêncio que não era comum naquele lugar — nem mesmo para um homem que aprendera a viver em meio ao barulho do poder, das reuniões, dos telefonemas intermináveis.
Mas agora, nada disso importava.
O silêncio daquela noite trazia peso.
E também trazia paz.
Ele sentou-se em sua poltrona favorita, a mesma onde tantas vezes escutara as gargalhadas da esposa, quando ela o provocava com suas piadas ácidas.
A mesma onde, anos atrás, colocava a filha no colo para contar histórias inventadas de última hora.
A mesma onde agora repousava o cansaço de um homem que — depois de muito tempo — começava a entender o que realmente era importante.
Os olhos dele se voltaram para a janela.
A cidade lá fora seguia pulsando, iluminada e impessoal, mas dentro dele, algo havia mudado.
Ver a dor da filha de perto.
Sentir o peso da perda que ela carregou sozinha.
Ouvir a histór