Mundo de ficçãoIniciar sessãoChegamos diante de uma horta, completamente iluminada e cheia de movimento. Assim que perceberam nossa aproximação, uma mulher extremamente bonita e sorridente se adiantou para nos receber.
Sua energia era acolhedora, e o sorriso aberto parecia irradiar uma sensação de pertencimento que, por um instante, fez meu peito se aquecer.
— Cadê o idiota do meu irmão? Veio com você? — perguntou ela para Suelen, que apenas sorriu, negando com a cabeça. Em seguida, nos apresentou…
— Joyce, esta é Aurora. Ela está visitando a região, e aproveitei para convidá-la a conhecer a alcateia.
A mulher diante de nós me observou com curiosidade, mas o sorriso em seu rosto se abriu ainda mais.
— Apenas de passagem, ou pretende ficar? — perguntou, com um brilho divertido nos olhos.
— Ainda não me decidi — respondi, um pouco sem jeito.
Joyce sorriu, como se eu tivesse aceitado um desafio.
— Que bom que está aberta a novas possibilidades. Assim podemos convencê-la a ficar. Um par de mãos nunca é demais quando precisamos de ajuda. — disse, rindo levemente.
— Não ligue para ela, Aurora — disse Suelen, com um sorriso cúmplice. — Joyce e a companheira do Beta estão sempre tentando expandir a alcateia.
Nesse momento, uma garotinha se aproximou de nós, trazendo um cesto para Joyce e outro para Suelen, acrescentando um toque de ternura para aquele ambiente.
Joyce sorriu, agradecendo com carinho. A mesma garotinha me observou com curiosidade, como se hesitasse em saber se deveria me oferecer um também.
Abaixei-me para ficar na altura dela, tentando transmitir confiança com um sorriso gentil.
— Posso ajudar também? — perguntei.
Ela me retribuiu um sorriso tímido e estendeu o cesto que segurava antes de sair correndo em direção à horta, os cabelos balançando ao vento.
— Mas dois pares de mão… — disse uma senhora de aparência acolhedora, aproximando-se com um pano jogado sobre o ombro e as mãos levemente sujas de terra.
Joyce e Suelen sorriram para ela.
Ela farejou o ar e ergueu as sobrancelhas, seu olhar surpreso, mas seu rosto logo se iluminou com um sorriso caloroso ao olhar para mim.
— Samaria, essa é Aurora. Aurora, esta é Samaria, a mão de fada responsável pelos nossos cultivos — apresentou Joyce, claramente grata pelo trabalho da mulher.
— É uma honra conhecê-la, Aurora. Seja muito bem-vinda à nossa alcateia — disse Samaria, com um sorriso verdadeiro em seu rosto.
— Obrigada, Samaria! É um prazer conhecê-la também. Espero poder ajudá-la em breve — respondi, um pouco sem jeito. Ela pareceu surpresa, mas sorriu de volta.
— Será um grande prazer ter você nos ajudando aqui — respondeu ela, com sinceridade transbordando em suas palavras.
— Como estão as coisas aqui? O espaço que abrimos foi suficiente para as novas plantações? — perguntou Suelen, genuinamente curiosa e preocupada com algo.
Samaria soltou um leve suspiro enquanto olhava para as fileiras de hortaliças.
— Tivemos um probleminha com os coelhos esta semana. Entraram na horta de novo e metade das alfaces foi devorada. Mas, fora isso, tudo está correndo bem.
— Sempre temos problemas com esse tipo de animal — explicou Joyce para mim. — Acabam destruindo nossos plantios.
— As crianças ajudaram a replantar desta vez, e conseguimos manter a estufa intacta com o reforço na cerca — acrescentou Samaria.
— Por que não colocam armadilhas? — perguntei, um pouco hesitante. — Eles também poderiam ser usados para alimentar os seus, não é?
Joyce pareceu pensar na ideia e me lançou um sorriso que me deixou levemente nervosa.
— Por que ainda não pensamos nisso? — perguntou, divertida, antes de se voltar para Samaria. — Acate a ideia inteligente de Aurora. Teremos coelhos acrescentados ao cardápio.
Samaria apenas assentiu, me olhando como se eu tivesse dado a ideia mais genial do mundo.
Mas, para mim, tinha sido apenas uma observação lógica. Se estavam atrapalhando o funcionamento da horta, era melhor resolver isso de forma útil.
— Que tal aproveitar o que a horta nos oferece? Nada melhor do que colocar a mão na terra — sugeriu Suelen.
Assenti, aliviada. Nunca gostei de ser o centro das atenções — antes, isso nunca significava algo bom.
Caminhamos até a horta. Mesmo à noite, a área estava bem iluminada por lâmpadas suspensas entre as plantas.
A luz suave refletia nas folhas verdes e nas flores coloridas, tornando a colheita mais fácil. Joyce começou a recolher os vegetais, e eu a acompanhei, observando cada movimento com atenção.
— Aqui, a colheita é sempre uma tarefa compartilhada — comentou ela, enquanto retirava cuidadosamente as alfaces da terra. — Todos ajudam e todos se beneficiam. Não pode haver desperdício.
Eu a observava, admirada.
Na minha antiga alcateia, Victor transformava tudo em uma competição — e, no fim, ele sempre saía ganhando, mesmo que fosse às custas dos outros.
Ver aquele tipo de união me parecia quase surreal.
— Deve ser bom, viver assim — murmurei, sem perceber que minha voz saía distante, como se estivesse falando mais para mim mesma do que para Joyce.
Joyce sorriu ao ouvir minhas palavras, como quem compreende o peso silencioso que eu carregava no peito.
— Essa vida pode pertence a você também, Aurora — disse ela com um tom leve, mas cheio de significado. Apenas sorrir de volta.
— Ainda tenho esperanças de que o Killiam volte a morar aqui um dia — murmurou aquela loba e aquilo despertou minha curiosidade.
Nesse momento, meus olhos se voltaram para ela, surpresa, e uma curiosidade me atingiu.
— Ele não mora aqui? — perguntei. Joyce negou, ainda colhendo algumas folhas verdes com delicadeza.
— Na verdade, não. — Suelen respondeu, e pude perceber que ela também sentia a ausência dele.
— Este era o lar dele. Foi aqui que crescemos. E foi aqui também que ele começou a construir uma vida com Jade — a voz de Joyce suavizou ao pronunciar o nome, carregada de lembrança e carinho.
Um aperto surgiu em meu peito. O que era aquilo… ciúmes? Minha loba rosnou em minha mente, possessiva. Mais feroz do que nunca.
Tentei conter aquele sentimento dentro de mim. Assim como eu, ele também tinha um passado — e eu precisava ter isso em mente.
— Mas depois da invasão e da morte dela… ele não conseguiu mais permanecer aqui — concluiu Joyce.
Fiquei em silêncio, sentindo o peso das palavras dela caírem como uma sombra sobre aquele momento de calmaria. Uma curiosidade incômoda começou a crescer dentro de mim.
De que invasão ela estava falando? E como, exatamente, a primeira companheira dele morreu?







