AURORA
Por mais que eu tentasse me convencer de que era errado, de que seria perigoso, de que já havia sofrido demais… tudo isso se desfez quando os olhos de Killiam encontraram os meus.
Ele estava ali, com aquele olhar intenso que sempre fazia meu coração tropeçar no peito. Era como se ele visse além da fachada que eu tentava manter, enxergando direto onde tudo doía, onde tudo também queria recomeçar.
Eu podia fugir. Podia dizer que não. Que era cedo demais. Que eu ainda tinha marcas demais por dentro. Que era perigoso para ele, se eu levasse em conta quem Victor era. Mas, pela primeira vez em muito tempo, eu não queria fugir.
Killiam se aproximou, lento, como se me desse a chance de recuar. Como se esperasse o menor sinal de recusa. Mas tudo o que fiz foi ficar ali, parada, com a respiração presa e os pensamentos em completo caos. E então, ele me beijou novamente.
Seus lábios tocaram os meus como se me perguntassem se tudo bem, se eu estava pronta. E eu estava. Céus, como eu estava.