Mundo de ficçãoIniciar sessãoFilha da primeira esposa do Beta, Elara cresceu sendo lembrada de que nunca deveria ter existido. Marcada como uma Ômega fraca, desprezada pela madrasta e ignorada pelo próprio pai, ela aprendeu cedo que, dentro da alcateia, sobreviver era mais importante do que ser amada. Tudo muda quando o vínculo desperta entre Elara e Darian, o Alfa da alcateia — e irmão da mulher que mais a odeia. No entanto, uma série de ataques ao território levanta suspeitas, e Elara passa a ser vista como a possível responsável. Acusada de ajudar inimigos a atravessarem as fronteiras da alcateia, ela é julgada sem defesa. Diante de todos, Darian escolhe acreditar na traição. Para proteger seu povo — e ferido pela própria desconfiança — ele a rejeita publicamente, negando o vínculo e quebrando Elara diante da alcateia inteira. Despedaçada, ela abandona tudo e parte para o mundo humano, tentando fugir de um laço que ainda pulsa como uma ferida aberta. Entre cidades desconhecidas, ameaças silenciosas e noites solitárias, Elara descobre que sua força nunca esteve na brutalidade, mas na inteligência, na resiliência e em seu talento excepcional como rastreadora. Quando já não acredita mais no amor, o destino a coloca diante de Aeron, o poderoso Alfa da Alcateia Presas do Norte. Diferente de tudo o que ela conheceu, Aeron não a vê como acusação ou obrigação — mas como escolha. Ao lado dele, Elara descobre que o amor verdadeiro pode nascer mesmo após a rejeição. Mas o passado não esquece. Mentiras, guerras entre alcateias e segredos enterrados ameaçam essa segunda chance. Agora, Elara terá que decidir: fugir outra vez… ou lutar para se tornar a Luna que ninguém acreditou que ela poderia ser. Conteúdo +18: romance intenso, cenas sensuais, violência, conflitos emocionais e temas maduros.
Ler maisO primeiro prato voou sem aviso.
Passou rente ao meu rosto e explodiu na parede da cozinha, espalhando cacos brancos pelo chão de pedra. — Olha o que você me obriga a fazer, Elara! — a voz de Selene ecoou pela casa, firme, autoritária, como tudo nela. — Sempre trazendo vergonha para esta família! Ela estava impecável, como sempre. Postura ereta, queixo erguido, o olhar afiado de uma loba que nunca duvidou do próprio lugar. Forte. Altiva. Respeitada na alcateia Luar de Ferro. Eu, ao contrário, estava parada no meio da cozinha, as mãos cerradas, o coração batendo alto demais para um corpo que já tinha aguentado coisa demais. — Vergonha? — perguntei, sentindo minha loba rosnar baixo dentro do peito. — Vergonha é fingir que eu não existo todos os dias. Outro objeto veio. Um jarro de cerâmica. Me abaixei por reflexo. Ele se partiu atrás de mim. — Cala a boca! — Selene gritou. — Você acha que tem o direito de falar comigo nesse tom? — Eu tenho o direito de falar a verdade! Iria tentou se colocar entre nós, os olhos marejados. — Mãe, por favor, para… — Saia da frente — Selene empurrou-a com força. — Isso não é assunto seu. — Não encosta nela! — Kael segurou o braço da mãe, os dentes cerrados. — Já chega! Ela se soltou com um puxão violento. — Esta casa é minha! — rosnou. — E eu não admito ser desrespeitada por uma ômega inútil! Meu sangue ferveu. — Não é sua! — avancei um passo. — Nunca foi só sua. E você sabe disso! O tapa veio rápido. Minha cabeça virou para o lado. O gosto de sangue encheu minha boca. A cozinha ficou em silêncio por um segundo longo demais. Então… eu ri. Não de humor. De ruptura. — Você b**e como vive — cuspi. — Fraca por dentro e cruel por escolha. O rosto de Selene se contorceu de ódio. — Você ousa me chamar de fraca? — ela riu, sem humor. — Você é igual à sua mãe, Elara. Uma ômega quebrada, arrastando vergonha por onde passa. Meu peito apertou violentamente. — Não ouse falar da minha mãe — rosnei. — Você nunca chegou aos pés dela. — Maelis se matou porque era fraca demais para viver! — Selene gritou. — E você vai acabar igual se continuar fingindo que é alguma coisa! Algo dentro de mim explodiu. Empurrei a mesa com força. Ela caiu com estrondo, pratos e talheres se espalhando. — Eu aguentei você a minha vida inteira! — gritei. — Aguentei seus olhares, suas humilhações, você me tratando como um erro todos os dias! — Porque você é! — Selene respondeu, fria. — Você é o erro que Bram cometeu antes de encontrar sua verdadeira companheira! Meus irmãos choravam agora, tentando me puxar para trás. — Elara, por favor… — Chega — disse uma voz dura. Meu pai estava parado à porta. Bram, o Beta da alcateia Luar de Ferro, braços cruzados, expressão fechada. Forte. Respeitado. E completamente distante. — Isso já foi longe demais — ele disse. Olhei para ele, o coração implorando por algo que nunca vinha. — Ela me bateu — falei. — Ela insultou a mamãe. — Você provocou — Bram respondeu, sem hesitar. Foi ali que algo morreu dentro de mim. — Eu provoquei… por existir? Ele suspirou, impaciente, como se eu fosse um problema mal resolvido. — Elara, você tem dezenove anos. Já é adulta. A alcateia pode sustentar você fora daqui sem dificuldade. Engoli em seco. — Está me expulsando? — Estou dizendo que não há mais espaço para você nesta casa — ele disse. — Nem no esquadrão que eu comando. Meu coração afundou. — Nem no seu esquadrão… — Peça transferência — Bram continuou. — Não misturo conflitos pessoais com liderança. Atrás dele, Selene sorriu. Vitória pura. — Pai, não faz isso — Kael implorou. — Ela não fez nada — Iria chorava. — Chega — Bram ordenou. — Elara, arrume suas coisas. Fiquei ali por um segundo, sentindo o peso de cada palavra esmagar meu peito. — Então é isso — murmurei. — Você escolhe ela. Ele não respondeu. E o silêncio foi a resposta. Virei as costas. Cada passo para fora daquela casa arrancava algo de mim… mas também deixava algo para trás. Quando cruzei a porta, ouvi Selene dizer, doce como veneno: — Finalmente. Não chorei. Só quando a noite me engoliu inteira. E, enquanto a Lua subia no céu da Luar de Ferro, eu soube: Eu tinha acabado de perder minha família. E ainda não fazia ideia de que aquela seria apenas a primeira queda.O empurrão veio sem aviso.Minhas costas bateram na parede com força suficiente para tirar o ar dos meus pulmões. Antes que eu pudesse reagir, Bram entrou no quarto e fechou a porta atrás de si com um estalo seco, definitivo.O quarto, que já era pequeno, encolheu.As paredes pareciam mais próximas. O teto mais baixo. O ar mais pesado.— O que pensa que está fazendo? — a voz do meu pai saiu dura, cortante.Darian se levantou imediatamente.— Bram, controle-se.Meu pai nem olhou para mim. Falava com Darian como se eu fosse um móvel fora do lugar.— Você trouxe ela até aqui — disse ele, apontando para mim sem sequer me encarar. — Expondo-a. Desmoralizando a alcateia.— Eu não desmoralizo nada — respondeu Darian, frio. — Eu decido.— Decide mal — Bram retrucou. — Ela não tem perfil. Nunca teve. Não é adequada nem para o esquadrão de rastreamento, quanto mais para…— Para ser minha Luna? —
O céu já estava escurecendo quando Darian estacionou o carro diante da casa coletiva da alcateia.Eu ainda sorria.Não aquele sorriso ensaiado que eu usava a vida inteira para sobreviver, mas um verdadeiro — estranho até para mim. Estávamos rindo baixo por causa de alguma coisa boba que ele tinha dito no caminho, e por um instante eu esqueci onde estava. Esqueci quem ele era. Esqueci quem eu sempre fui naquele lugar.Quando descemos do carro, o silêncio foi imediato.Eu senti antes mesmo de olhar.Os lobos que conversavam na entrada pararam. Olhos se viraram. Vozes morreram no meio das frases. O Alfa da Luar de Ferro estava ali, diante da casa coletiva, ajudando a mim a descer do carro.E não só isso.Ele pegou as sacolas do banco traseiro.Todas.— Eu levo — disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo.Meu coração bateu errado.Entramos juntos.A sala comum estava cheia. Pessoas sent
Quando cheguei para o treinamento, Darian já me esperava. Isso, por si só, era estranho. Ele estava encostado no carro, braços cruzados, olhar atento demais para alguém que sempre parecia ocupado demais para qualquer coisa além da função de Alfa. — Entre — disse, sem rodeios. Olhei ao redor, esperando ouvir o som das lâminas de treino, os gritos do esquadrão, qualquer coisa familiar. — O treino não é no campo hoje. — Não. — Então onde? Ele abriu a porta do passageiro. — Fora da alcateia. Meu coração deu um salto desconfortável, mas entrei. O caminho foi silencioso no começo. A estrada de terra deu lugar ao asfalto, o cheiro da floresta ficou para trás, substituído pelo mundo humano. Quando percebi prédios, lojas e pessoas comuns andando despreocupadas, entendi. — Por que estamos aqui? — perguntei. — Porque preciso falar com você sem testemunhas. Aquilo me deixou tensa. Ele estacionou o carro e desligou o motor. — Eu tomei uma decisão. — Sobre o quê?
Alguns dias depois, meu corpo já não doía do mesmo jeito.Doía diferente.Era um cansaço mais profundo, mais honesto. Aquele que vem quando você é empurrada além do que acreditava aguentar — e descobre que ainda há algo sobrando.O campo de treino estava vazio de novo.Sempre ficava.Darian não gostava de plateia quando o treino envolvia falhas. Nem as minhas, nem as dele.As facas de treino estavam alinhadas sobre o banco de madeira. Pareciam reais demais para serem inofensivas. Pesadas, frias, feitas para ensinar respeito ao espaço do outro.— Pegue duas — ele disse.Obedeci.O metal falso tinha o peso exato para cansar o pulso rápido demais. Do jeito que ele gostava.— Hoje não quero velocidade — continuou. — Quero precisão.Assenti.Ele entrou na área primeiro. Eu fui atrás.— Comece — ordenou.Avancei sem aviso.Ele defendeu com facilidade, nossas lâminas se tocando com um som seco. Girei o corpo, tentei atingir o flanco. Ele bloqueou, girou também, empurrou meu braço para baixo
Voltei para a casa coletiva quando a noite já tinha se fechado por completo.O quarto era pequeno. Limpo. Silencioso demais.Deitei na cama sem tirar a roupa. O corpo exausto, a mente em guerra. Sempre que fechava os olhos, sentia o gosto dele, o peso da rejeição, a violência contida no “você não é suficiente”.Virei de lado.Nada.O vínculo pulsava como um aviso constante, uma presença que não me deixava esquecer.Quando adormeci, foi raso. Fragmentado. Acordei antes do sol, com o peito apertado e o gosto amargo da ansiedade na boca.Levantei.O refeitório ainda estava quase vazio. Peguei café preto, forte, e sentei sozinha, tentando convencer meu corpo de que aquilo era só mais um dia.Não era.— Elara?Levantei o olhar.Um homem do setor administrativo segurava uma pasta fina, expressão neutra demais para aquela hora.— Sim.Ele estendeu o documento.— Transferência oficial. Você foi realocada para o esquadrão pessoal do Alfa.O mundo inclinou.— O quê?— Ordens diretas — disse. —
A cachoeira sempre foi meu refúgio porque não fazia perguntas.Ela só caía. Com força. Sem piedade. Como a vida.Eu cheguei lá com o peito em chamas e as mãos trêmulas. Joguei as botas no chão e afundei os pés na água gelada, deixando o choque me ancorar no presente. Precisava sentir algo que não fosse o vínculo pulsando dentro de mim como uma ferida aberta.Fechei os olhos.Respirei.Não funcionou.O cheiro dele ainda estava em mim. O toque. A presença. A certeza que eu nunca deveria ter permitido.— Estúpida — murmurei para mim mesma.Eu sabia como aquilo terminava. Sempre soube.Passos atrás de mim.Meu corpo reagiu antes da mente. Ombros rígidos. Mandíbula travada. Coração disparado.Não precisei olhar para saber quem era.— Você corre como se estivesse fugindo da própria sombra — disse Darian— Vai embora.Não me virei.— Elara.— Não me chama assim.— Precisamos conversar.— Não precisamos de nada — respondi. — Você já disse tudo o que tinha para dizer no quartel.O silêncio del





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