Rivalidade Feminina

Assim que ela conseguiu o que queria, seu tom de voz doce se desfez e ela gritou, chamando as esteticistas de volta para terminarem seu serviço. Eu tentei me manter forte e prometi para mim mesma que pelo menos por hoje eu não choraria mais. Quando a minha pequena margarida, como eu a chamava, entrou no quarto, parecendo uma princesa em seu vestido rosa, rodopiando sem parar e parecendo extremamente feliz, eu apenas me deixei contagiar pelo seu bom humor.

"Olha Lilynha! Olha como ficou lindo o meu vestido!" ela exclamou, seus olhos brilhando de alegria.

Eu acabei sorrindo enquanto admirava a minha pequena que parecia iluminar aquele quarto com seu sorriso banguela.

"Eu estou vendo, você está linda, minha pequena!" respondi, com um sorriso carinhoso.

"Você acha que o Max vai gostar?" ela perguntou, ansiosa.

Eu vi a minha mãe revirar os olhos pelo simples fato de o Max ser filho de uma das nossas empregadas.

"O que importa o que aquele morto de fome vai achar? Sinceramente eu não sei onde errei com vocês duas! Se você gosta de belos vestidos como esse, tem que aprender desde já que pessoas como esse menino nunca vão poder te dar algo assim!" minha mãe repreendeu, antes de sair dali com seu cabelo já feito.

 Eu vi a expressão de tristeza no rosto da Margareth e a chamei para perto de mim.

"Ei! Não liga para o que a mamãe fala. Tenho certeza de que o Max vai adorar seu vestido, minha pequena margarida." consolei-a, envolvendo a menor em um abraço.

Ela sorriu, mas torceu levemente o nariz.

"É Margareth, Lily. Não é margarida!" corrigiu-me.

"Eu gosto mais de margarida. É o nome da namorada do Pato Donald." brinquei, tentando animá-la.

"Mas eu não quero ser a namorada de um Pato." ela respondeu, ainda com um tom de descontentamento.

"Por que não? Vai ser divertido! Toda vez que ele te chamar, ele vai falar 'Vem Quack!'” insisti, fazendo-a rir descontroladamente da minha piada ruim.

"Essa foi a pior piada que eu já ouvi!"  exclamou entre risos.

"O importante é que você riu!" provoquei, abraçando-a mais uma vez.

Então, saímos dali, indo em direção à nova filial das Indústrias Park. Hoje era a festa de inauguração da filial de Washington e o Jayden viria aos Estados Unidos especialmente para isso. Era assustador pensar que só agora poderíamos nos conhecer e oficializar nosso noivado, sendo que nossos convites de casamento já foram enviados. 

Daqui a dois dias, eu voaria com ele para a Coréia, onde seria nosso casamento, e também onde moraríamos depois da cerimônia. Isso mais parecia um pesadelo; além de perder minha liberdade, eu também teria que dizer adeus ao país onde nasci e onde tenho as minhas melhores lembranças.

Quanto mais a nossa limusine se aproximava da enorme empresa, mais meu coração se apertava. Minha mãe sempre dizia que meu noivo era lindo e o quanto eu era sortuda, mas mesmo que eu nunca o tenha visto, eu sabia que não existia beleza no mundo capaz de compensar o fato de eu estar sendo obrigada a me casar.

Quando chegamos ao tapete vermelho que recepcionava os convidados, pensei que ficaria cega com tantos flashes das fotos que estavam sendo tiradas pelos fotógrafos das maiores revistas que viviam para acompanhar a alta sociedade. Eu não percebi o quanto estava séria até a minha mãe beliscar levemente a minha cintura e sussurrar, mantendo um sorriso falso no rosto.

"Sorria! Lembre-se que hoje é o dia mais feliz da sua vida!" ela me lembrou.

Eu busquei forças para dar um sorriso falso e respondi enquanto posava para os fotógrafos.

"Só se for para a Senhora pois para mim é o pior dia." murmurei.

"Pois então finja!" ordenou, e eu fiz como ela pediu, mantendo um sorriso mecânico no meu rosto.

Quando entramos na empresa, vi todos os rostos familiares e enfadonhos que sempre estavam presentes em eventos como esse. Pessoas vazias, hipócritas e que varriam seus escândalos para baixo do tapete, cobrindo tudo com alguns milhões de dólares.

"Oh, querida, você está encantadora como sempre!" uma mulher se aproximou, me medindo com o olhar, trazendo consigo sua filha que tinha o nariz em pé, cabelos longos no mais perfeito tom de loiro, e era tão magra que eu quase podia contar suas costelas.

"Não é à toa que você fisgou o solteiro mais cobiçado do momento!" ela continuou, e eu quase podia ver o veneno escorrendo pelo canto da sua boca. Antes que eu pudesse responder, a minha mãe retribuiu, mantendo o mesmo tom de falsidade.

"Sim! É uma pena que sua querida filha Chelsea não tenha tido a mesma sorte. Fiquei sabendo que você até tentou arranjar o casamento dela com o Jaewon, mas ele preferiu a minha Lily. Parece que a Marilyn Monroe mentiu e os homens não preferem as loiras no fim das contas." a minha mãe provocou, sorrindo vitoriosa.

Seu tom de voz era tão calmo e cortês que quem não prestasse bastante atenção poderia não perceber a troca de insultos. O olhar da Sra. Hamilton se desfez, e a minha mãe sorriu vitoriosa.

"Não cante vitória ainda, Mary. Eu não estou vendo um anel no dedo da sua filha. Até que o padre diga 'Eu vos declaro marido e mulher', nada está garantido, querida!" a mais velha estava a desafiando, mas não era um costume da minha mãe recuar ou ao menos perder a compostura.

"Oh, querida! Eu não te contei? Me desculpe! Que desatenção a minha. O casamento já está marcado! Será em poucos dias e ainda essa semana já nos mudamos para a Coreia. Será que eu esqueci de enviar o seu convite?" ela fingiu pensar no assunto, mas logo deu de ombros.

"Ah, não, eu me esqueci! Somente pessoas relevantes irão ao que será o casamento do ano, segundo o New York Times." ela continuou, provocando a mulher.

A mulher encarou a minha mãe, e ela tinha tanta aplicação de Botox que eu nem sabia dizer o que ela estava sentindo, mas a filha dela ficou boquiaberta e a puxou.

"Venha, mamãe! Deixe essa cascavel para lá." a mais nova disse, irritada.

Minha mãe sorriu vitoriosa e imitou o barulho do chocalho da cascavel, deixando a mais nova ainda mais irritada antes de sair dali.

"E é assim que se faz. Ninguém humilha uma Roux!" ela exclamou, satisfeita.

Ela parecia feliz com tudo, e ao olharmos ao redor, pudemos analisar o quanto a festa era enorme e bonita. Uma pequena orquestra tocava músicas clássicas, tornando o ambiente ainda mais requintado. Vários garçons muito bem-vestidos circulavam com champanhe e canapés, servindo a todos os convidados que ali estavam. Havia diversas mesas espalhadas pelo salão principal da empresa, e eu mal cheguei e já estava entediada.

"Vamos! Vamos procurar o seu noivo!" minha mãe disse, mas logo sorriu para alguém na direção oposta de onde eu estava.

"Não precisa. Ele já te achou e está vindo para cá! Sorria!" ela ordenou, e eu forcei um sorriso.

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