Proposta Irrecusável

Quando um garçom passou por mim, peguei uma taça de champanhe, virando-a de uma vez só, fazendo minha mãe torcer levemente o nariz. Antes que ela pudesse me repreender, senti uma presença ao meu lado.

"Jaewon, que prazer em revê-lo, você está lindo! Um pouco diferente do que eu me lembrava, mas como sempre lindo!" minha mãe disse, dando a mão para o homem que se aproximou dela. 

Eu nem ao menos vi seu rosto, mas podia ver que ele estava usando um terno muito elegante preto, seus cabelos negros estavam em um corte perfeito, e ele se abaixou, beijando a mão da minha mãe. Mas o que mais chamou minha atenção foi o fato de que ele tinha uma bússola tatuada no seu pescoço, e de todas as formas que eu imaginei o homem que minha mãe havia escolhido para mim, eu nunca imaginei um que tivesse tatuagens.

"O prazer é meu, Sra. Roux, a Sra. está deslumbrante como sempre!" ele respondeu, educadamente.

Ela sorriu e ficou levemente corada, parecendo mais interessada nele do que eu.

"Ora, querido, são seus olhos! Jaewon, como você deve se lembrar, essa é a minha filha Lily, e a menor é a Margareth!" ela apresentou, finalmente.

Ele finalmente se virou para me encarar, e eu estaria mentindo se não admitisse que ele era realmente lindo. Seus olhos castanhos eram puxados, seus lábios eram rosados e carnudos, ele tinha um piercing no seu nariz pequeno, e ele tinha um físico aparentemente invejável. Talvez, se eu não estivesse sendo obrigada a me casar com ele, eu até pudesse me interessar por ele... Mas como já disse antes, não importa o quanto ele seja lindo, eu nunca poderei amá-lo. 

Seu sorriso ficou maior quando ele me encarou, e eu podia jurar que ele suspirou, quase perdendo o fôlego ao me ver. Os olhos dele brilhavam mais que os diamantes no meu pescoço, e ele parecia genuinamente feliz ao me ver. Ele pegou minha mão na sua, deixando um beijo um pouco demorado na mesma, e eu senti meu corpo inteiro travar.

"Lily... Você está ainda mais linda do que eu me lembrava." ele elogiou, e eu apenas sorri, tentando disfarçar meu desconforto.

"Também, quando você conheceu a Lily, ela era somente uma menina!" minha mãe interveio.

"A menina mais linda que eu já tinha visto!" - ele complementou, e eu fiquei surpresa ao ouvir isso, mas nem mesmo isso foi capaz de me fazer sentir alguma coisa.

"Obrigada." murmurei, tentando manter a compostura.

Antes que ele pudesse falar novamente, fomos interrompidos por um casal que eu acreditava serem os pais dele, devido à semelhança.

"Sr. e Sra. Park, parabéns pela inauguração de mais uma filial! Vocês devem estar muito felizes!" minha mãe cumprimentou-os, enquanto eu observava a interação com desinteresse.

O restante da noite foi uma interminável sessão de futilidades e assuntos que não me interessavam. Várias pessoas vinham cumprimentar os Parks, e minha mãe já aproveitava a deixa para falar sobre o nosso casamento. 

Como se fosse necessário, já que todas as revistas e jornais importantes do país já tinham noticiado o casório. Minha mãe e a Sra. Park discutiam detalhes do casamento sem nem ao menos pedir a minha opinião sobre nada, enquanto o Jaewon e o pai dele falavam de negócios. 

Eu me sentia como se estivesse presa entre dois mundos, e como se não pertencesse a nenhum deles. Aos poucos, eu não ouvia mais o que eles estavam falando, como se estivesse longe dali, e apenas me concentrava na Margareth, que estava dançando com algumas meninas da idade dela. Quando percebi, o Jayden estava tocando o meu braço, e eu o encarei confusa.

"Tá tudo bem?" ele perguntou, preocupado.

Eu encarei a minha mãe, que me repreendeu com o olhar, então fingi um sorriso e só agora percebi que ela e os pais do Jayden tinham se distanciado um pouco.

"Sim. Está tudo bem, eu apenas me distraí. Me desculpe!" respondi, tentando parecer normal.

Ele sorriu e acariciou minha mão com o polegar.

"Não tem problema. É um dia importante para nós dois, então é normal ficar um pouco nervosa." ele disse, tentando me tranquilizar.

Eu apenas o encarei, sem saber o que responder, e ele olhou ao redor, vendo que tinham vários olhares sobre nós dois.

"Escuta. Nós... Podemos ficar a sós por um momento?" ele perguntou, visivelmente nervoso.

A última coisa que eu queria era ficar sozinha com ele. Eu não o conhecia, e sinceramente, não queria conhecer. Até mesmo a forma como ele estava acariciando minha mão me incomodava, e eu senti vontade de gritar que não. Mas eu apenas assenti minimamente com a cabeça, e ele sorriu, me guiando até o elevador e apertando o botão do último andar.

O silêncio que se fez quando as portas se fecharam parecia gritar, e assim como acontecia todas as vezes que eu entrava em um elevador, comecei a sentir falta de ar. Eu tentei me acalmar, me aproximando levemente da parede, e ao perceber meu mal-estar, ele se aproximou, parecendo preocupado.

"Lily? Está tudo bem?" ele perguntou, agora mais sério.

Ele pareceu se lembrar de algo e bateu a mão contra a própria testa.

"Droga, eu esqueci que você tem claustrofobia. Me desculpe! Segura a minha mão, nós já estamos chegando." ele disse, tentando confortar-me.

Ele pressionou levemente as minhas mãos enquanto acariciava as mesmas, e eu tentei controlar a minha respiração até que ouvi o som do elevador indicando que tínhamos chegado.

Quando saímos do elevador, a brisa suave da noite se fez presente, e eu fui surpreendida por um violinista tocando uma das minhas músicas favoritas. Além da luz da lua, algumas velas iluminavam o local, e o Jayden me guiou até o centro da decoração, que era muito bonita e parecia ter sido muito bem planejada.

Quando olhei ao redor para tentar entender o que estava acontecendo, ele se ajoelhou e tirou uma caixinha com um anel de diamantes do bolso do terno.

"Lily Avery Roux, eu sei que isso provavelmente não está acontecendo do jeito que você sonhou. Conhecer o seu noivo dias antes do casamento não é o ideal, e sei que você deve estar com a cabeça cheia de dúvidas agora. Mas, apesar de você não se lembrar de mim, eu me lembro de você, raposinha..." ele começou, deixando-me perplexa ao mencionar meu apelido.

"E eu sei que você é a pessoa mais meiga, corajosa, sensível e especial que existe no mundo. Se você aceitar se casar comigo, eu prometo que farei com que a missão da minha vida seja te fazer feliz. Prometo fazer de tudo para que você se apaixone por mim da mesma forma que eu me apaixonei por você anos atrás, quando ainda éramos duas crianças."ele continuou, com sinceridade em suas palavras.

Ele parecia genuinamente apaixonado, mas nem mesmo isso foi capaz de me fazer sentir alguma coisa. Não importava o que ele dissesse ou fizesse, a única vontade que eu tinha era sair correndo dali o mais rápido possível e ir o mais longe que pudesse.

"Se você aceitar ser minha, eu te prometo que não existirá uma estrela no céu que eu não possa te dar e nenhum desejo seu que eu não possa realizar. Então, Lily... Minha raposinha... Você aceita se casar comigo?" ele concluiu, aguardando minha resposta.

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