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Obrigações Familiares

Minha mãe virou minha cadeira para o espelho, fazendo-me encarar meu reflexo. Meus cabelos ruivos naturais estavam alisados e mantidos em um belo penteado que deixava meu cabelo comprido preso e o volume dele bem controlado. Meus olhos verdes estavam com um delineado perfeito, que faziam meus olhos, que eram grandes e arqueados, se destacarem ainda mais. Em meus lábios estava um batom levemente rosado, que deixava a maquiagem perfeita aos olhos da minha mãe, pois, segundo ela, se os olhos estavam bem marcados como os meus estavam, o batom não poderia ser chamativo como eu gostava. Eu estava usando um vestido de festa verde com alguns detalhes em renda preta, ele não possuía alças e tinha um decote singelo em formato de coração que deixava minha pele alva em destaque, me fazendo parecer uma verdadeira boneca de porcelana. Eu realmente estava muito bonita e meu corpo esbelto, devido às constantes dietas e exercícios que minha mãe sempre me obrigou a fazer, acabava me fazendo parecer uma verdadeira modelo nesse visual.

"Está vendo, querida? Vê como você está linda? Eu sei que dessa forma o Jaewon vai se apaixonar no momento que colocar os olhos em você", disse minha mãe, admirando-me.

Levantei o olhar assim que ouvi aquele nome, que me parecia estranhamente familiar, mas que eu não me lembrava de ter ouvido até hoje.

"Jaewon? Eu pensei que o nome dele era Jayden, já que em todos os cartões que vem com os presentes que ele me manda são assinados como Jayden", comentei, tentando entender.

Ela ajeitou levemente a maquiagem dela e concordou com a cabeça.

"Jaewon é o nome coreano dele. Park Jaewon, mas aqui nos Estados Unidos ele usa o nome Jayden Park", explicou.

Assenti com a cabeça e engoli seco, havia uma pergunta que eu queria fazer, mas tinha medo da resposta.

"Mãe, e se eu não gostar dele? E se eu não quiser me casar?", questionei, temendo a reação dela.

Vi a expressão dela mudar totalmente, como se eu tivesse dito em voz alta o maior medo dela. Agora foi a vez dela de engolir seco. Vi os lábios dela tremerem e percebi que dessa vez a lágrima que deixou seus olhos azuis era verdadeira.

"Então estaremos todas perdidas...", confessou, com pesar.

Ela abaixou a cabeça e girou lentamente minha cadeira para si, ficando frente a frente comigo.

"Filha, eu não queria te dizer isso para não te pressionar, mas nós vamos perder a casa", revelou, com uma sinceridade dolorosa.

Meu coração se apertou, aquela casa e tudo o que tinha nela eram as únicas lembranças que eu tinha do meu pai.

"O quê? Por quê?", perguntei, atônita.

"Filha, a empresa que seu pai nos deixou já não rende quase nada e está com diversos embargos bancários. Para manter a empresa funcionando, tive que hipotecar a mansão em uma tentativa desesperada de manter a nossa única fonte de renda. Eu já até vendo alguns daqueles quadros horrorosos do seu pai", explicou, tentando justificar suas ações.

Ouvindo atentamente, minha indignação cresceu ao ouvir menosprezar o gosto artístico do meu pai, que era igual ao meu.

"Você vendeu os quadros do papai? Como assim? No que você estava pensando?", questionei, indignada.

"Estava pensando na nossa sobrevivência, Lily...", respondeu, com um tom de frustração.

"Mas o papai amava aqueles quadros!", argumentei, tentando fazê-la entender.

"O seu pai morreu, Lily!", ela gritou comigo, e ao perceber que eu me encolhi, respirou fundo, baixando o tom de voz. "Ele se foi, então não tem por que eu manter aqueles quadros horrorosos."

As lágrimas rolavam copiosamente pelo meu rosto, e eu me perguntava como uma pessoa podia ser tão fria.

"Eram as lembranças do papai...", murmurei, tentando fazê-la entender.

"Lembranças?", ela riu debochadamente, antes de ficar séria novamente. "Lembranças não pagam dívidas, lembranças não pagam os estudos da sua irmã para que ela cresça com uma boa educação e um dia possa ter um bom casamento, lembrança não sustenta os seus caprichos e com certeza eu não conseguiria pagar esse vestido extremamente caro que você está usando com lembranças."

Ela respirou fundo, suavizou o olhar enquanto se aproximava e acariciava o meu rosto.

"Eu estou apostando todas as minhas fichas em você, filha. Nós precisamos desse casamento. Temos que tirar proveito do sobrenome do seu pai enquanto ele ainda vale alguma coisa. Precisamos casar você antes que os Parks descubram que estamos falindo. Faça o que fizer essa noite, por favor, não me decepcione, pois o nosso futuro e o futuro da sua irmã dependem de você. Hoje, quando o Jaewon colocar um anel de diamantes no seu dedo, aceite com um sorriso no rosto. Não veja como uma coleira e sim como um bote salva-vidas que irá impedir nossa família de afundar!"

Eu queria gritar que não faria isso, que não me submeteria a esse casamento, mas então ela acariciou meu cabelo com cuidado para não desmanchar meu penteado, assim como meu pai fazia, e sorriu para mim.

"Eu posso contar com você, minha raposinha?", perguntou, com um tom esperançoso.

Meu coração se derreteu ao ouvir ela me chamar pelo apelido que somente meu pai me chamava pelo fato de eu ter cabelos ruivos, e ele sempre dizia que meus olhos pareciam de uma raposa. Eu a encarei querendo dizer não, mas apenas concordei com a cabeça.

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