Hugo Moura
Engoli em seco e, pela primeira vez, encarei os dois sem o véu do orgulho que tanto me cegara. Heloisa falava com uma firmeza que nunca antes havia visto nela, e o modo como suas mãos estavam entrelaçadas com as de Vittorio me dizia tudo. Era amor. Simples, genuíno e inabalável. E eu, durante tanto tempo, fui incapaz de enxergar.
— Eu nunca quis te magoar, pai. — A voz de Heloisa tremeu um pouco, mas seus olhos permaneceram fixos nos meus. — Mas eu também não podia viver uma mentira.