Capitulo 109

Lorenzo Bianchi

Ela estava ali.

Aurora.

E por um instante, o tempo fez silêncio dentro de mim.

O salão da galeria estava cheio — artistas, enólogos, curadores, flashes discretos — mas eu só conseguia enxergar ela.

A menina do parreiral. A garota com cheiro de tinta.

A mulher que ela se tornou.

Inteira. Forte. Serena.

Quando nossos olhos se encontraram, senti um aperto no peito.

Não era culpa. Era perda.

E talvez um pouco de vergonha também.

Ela parecia tão dona de si. Diferente e, ao mesm
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