Lorenzo Bianchi
Ela estava ali.
Aurora.
E por um instante, o tempo fez silêncio dentro de mim.
O salão da galeria estava cheio — artistas, enólogos, curadores, flashes discretos — mas eu só conseguia enxergar ela.
A menina do parreiral. A garota com cheiro de tinta.
A mulher que ela se tornou.
Inteira. Forte. Serena.
Quando nossos olhos se encontraram, senti um aperto no peito.
Não era culpa. Era perda.
E talvez um pouco de vergonha também.
Ela parecia tão dona de si. Diferente e, ao mesm