Ive estava exausta, passou a noite na delegacia, o banco duro servia para não deixar o sono chegar e ela usou cada segundo da madrugada fria para trabalhar.
Não conseguia esquecer o rosto de Lucca espremido entre as grades, o cheiro de mofo, a expressão triste que se desfez quando a beijou.
O primeiro passo foi ligar para Sara, se existia alguém com contatos suficientes para resolver aquilo, era ela!
— Mãe, Lucca está preso, aqui no…
O soluço cortou a voz, o choro escapou e antes que Ive conseguisse explicar a voz de Sara mudou.
— Calma, Ive! Qual delegacia? Estou indo!
— É o 23º DP, no centro. Mãe, tem alguma coisa errada, eu falei que era legítima defesa, mas...
Sara interrompeu a filha quase como se estivesse brava.
— Não cite lei alguma, Ive. A ignorância pode ser um álibi, o conhecimento não. Só abra a boca se puder ir até o fim e no momento você não pode. O que aconteceu? Por que ele foi detido?
Ive explicou e Sara acabou abrindo um leve sorriso, a filha estava certa, era