Lucca não estava em uma cela individual, ao contrário, o cheiro era estranho e tudo tinha se tornado escuro de novo, não via as luzes, mas sabia que não era a cirurgia porque ainda enxergava os vultos.
O rapaz estava preocupado com Ive, tinha sentido o sabor salgado das lágrimas dela, o jeito como a voz da menina parecia sentida.
Passou a mão no próprio rosto e achou engraçado o comentário que um dos carcereiros fez quando o empurrou para dentro da cela.
— Essa pinta de galã não vai te salvar aqui dentro.
Nunca imaginou que alguém, um dia, usaria aquelas palavras para se referir a ele. Parecia mais natural ser o monstro, a aberração, o nojento... Mas mesmo na época que todos o achavam asqueroso, Ive tinha o abraçado.
Fechou os olhos e se deixou envolver pela lembrança do corpo pequeno se agarrando a ele, o som das buzinas, o cheiro dos cabelos dela.
Nessa época ele não sabia quem era, assim como ela nem sequer sonhava que ele fosse o “Lucca” o rapaz de quem ela contou com tanta s