Ive encarou o escrivão, a maquiagem borrada pelas lágrimas, o rosto roxo pelo tapa que levou de Matheus e o sangue já seco logo abaixo do nariz.
Ela não inspirava confiança em ninguém naquelas condições, principalmente porque o coração batia como cavalos de corrida na última reta.
Fechou os olhos, tentou manter a mente tranquila, o pensamento processando códigos e artigos.
— Não vou me indispor com os senhores, já disse que quero ver o meu namorado. O que aconteceu hoje foi legítima Defesa, artigo 25 do Código Penal brasileiro! Meu namorado foi movido por forte emoção e repeliu uma agressão iminente contra a minha pessoa! Isso não é crime, é excludente de ilicitude! Ele tem direitos! E essa prisão foi arbitrária!
O escrivão olhou e pensou que aquele plantão já estava cansativo demais para ainda ter que lidar com uma garota histérica.
— Se acalme, garota. O senhor delegado vai cuidar do caso.
— Quero o delegado agora! Meu namorado é cego e estava agindo em defesa de terceiros. A forç