Antônio não esperava, mas quando foi libertado a voz que ouviu era diferente.
— Oi, desculpa, moço. Eu não consegui o dinheiro que eles estavam pedindo. O banco só liberou o empréstimo hoje.
Ele tentou lembrar quem era aquela mulher.
Esticou a mão, se desequilibrou e ela chegou mais perto.
— Aqui, você não me conhece. Meu marido chamou a polícia. Ele também estava com medo.
— O doce?
— Isso, eu sou a dona da loja de doces, meu amor. Desculpa.
— Para que lado fica o Colégio Nossa Senhora do Brasil?
A senhora sorriu.
— Você mora perto do colégio?
— Ive.
— A sua amiga?
Ele confirmou com a cabeça e a senhora o levou para o carro.
— Eu te levo na escola.
Foi difícil para Antônio entrar, a perna não dobrava mais e ele estava com uma espécie de gesso mal colocado.
O serviço de saúde da detenção havia feito o gesso, mas não os exames para confirmar a fratura.
Quando finalmente o rapaz conseguiu se sentar ela fechou a porta, deu a volta e colocou no colo do rapaz uma cesta de doces bonita.
Ele