A Escolha

Antônio se lembrou da cela, da escolha que fez.

Havia se encolhido com a voz forte, o hálito também tinha um cheiro ruim.

— Você precisa de uma lição, não mesmo?

— Não. Eu comprei o doce, trabalhei pelo dinheiro.

Os detentos riram. E um deles avisou o líder.

— Deixa ele. É um retardado, não está vendo?

Antônio tentou se levantar, o cheiro de urina e mofo irritava o nariz. Tinha cheiro de escuro. Foi o que pensou.

Mas precisou escolher.

E fez isso pensando em Ive.

— Retardado ou não, ele mexeu numa criança.

O líder da cela olhou outra vez para o rapaz que ainda não tinha conseguido encontrar um lugar para se encostar.

— E aí grandão? Escolhe. A mão ou a perna? Uma delas vai dar para mim. Vou arrancar com um machado bem grandão.

O homem falava com a boca colada na orelha do rapaz e Antônio sentia o cuspe em seu ouvido.

Acreditou... Não sabia como era uma prisão.

Mas a mãe sempre disse que o lugar tinha as piores pessoas do mundo.

Podiam ter um machado.

Lembrou de Ive... Ela gostava da m
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