Mundo de ficçãoIniciar sessão
POV Jullie Medeiros
O som do mar batendo manso e compassadamente contra o casco da lancha era o ritmo perfeito para a noite mais feliz da minha vida.
Olhei para a aliança de brilhantes no meu dedo esquerdo, capturando o reflexo do luar, e sorri. Três anos. Três anos desde o dia em que eu, Jullie Medeiros, a promotora de justiça que muitos consideravam uma fortaleza de gelo inacessível nos tribunais, tinha dito "sim" para Gustavo Goulart.
Aos vinte e oito anos, eu sentia que tinha conquistado o mundo. No Ministério Público, eu era respeitada, temida pelos criminosos de colarinho branco e aplaudida pela imprensa. Em casa, eu tinha um homem que me adorava. Gustavo era o oposto do ambiente tenso do meu trabalho; ele era a minha calmaria, o meu porto seguro.
— Um brinde à dona dos meus pensamentos mais selvagens e do meu coração — a voz de Gustavo ecoou, suave e rouca, bem perto do meu ouvido.
Ele surgiu atrás de mim, envolvendo minha cintura com aqueles braços fortes que sempre me faziam sentir protegida. Gustavo beijou meu pescoço, arrancando-me um arrepio gostoso, e me estendeu uma taça de cristal com champanhe. Seus olhos castanhos brilhavam com uma intensidade que me fez esquecer qualquer cansaço da semana exaustiva de trabalho.
— Às nossas Bodas de Trigo, meu amor — respondi, virando-me de frente para ele, tocando seu rosto esculpido. — Ainda não acredito que você alugou uma ilha particular e uma lancha só para nós dois. Você é absurdamente exagerado, sabia?
— Para você, Jullie, o universo inteiro ainda é pouco — ele sorriu, aquele sorriso perfeito que eu tanto amava. — Eu sei o quanto você se desgastou naquele último caso. Você precisava desligar de tudo. Somos só nós dois aqui.
Bebemos. O champanhe estava gelado, doce, descendo como veludo pela minha garganta.
Gustavo tirou a taça da minha mão com suavidade, colocando-a de lado na amurada, e me puxou para mais perto. Seus lábios tomaram os meus em um beijo lento, profundo, que carregava toda a promessa dos nossos três anos juntos. Mas havia uma urgência diferente no toque dele hoje. Mais intensa. Mais possessiva. Suas mãos desceram pelas minhas costas, abrindo o zíper do meu vestido branco de linho, deixando o tecido escorrer pelo meu corpo até o chão do convés.
Ele me pegou no colo com facilidade, sem quebrar o beijo, e me levou para a cabine luxuosa da lancha. A penumbra do quarto estava iluminada apenas pela luz da lua que entrava pela janela.
Quando ele me deitou na cama de casal, senti o calor do seu corpo se pressionar contra o meu. Gustavo me despiu com uma adoração que me fez flutuar. Cada carícia dele, cada caminho que suas mãos faziam pela minha pele, arrancava de mim suspiros que eu mal conseguia controlar. Eu o amava tanto que chegava a doer. Confiava naquele homem de olhos fechados. Entregaria minha vida nas mãos dele sem hesitar.
— Você é linda, Jullie. Minha... absolutamente minha — ele sussurrou contra a minha pele, a voz carregada de uma paixão que acelerou meu coração.
Nossos corpos se uniram em um ritmo intenso e urgente. Gustavo me penetrava fundo, com estocadas firmes e possessivas, enquanto eu cravava as unhas em suas costas, puxando-o ainda mais para dentro de mim. Cada movimento arrancava gemidos roucos da minha garganta e suspiros entrecortados dele. Eu me entregava por completo, pernas enlaçadas em sua cintura, quadris subindo para encontrar os dele com a mesma fome.
— Jullie... minha — ele gemeu contra meu pescoço, mordendo de leve enquanto acelerava o ritmo.
O prazer subia rápido, quente, quase insuportável. Nossos corpos suados deslizavam um contra o outro, o som molhado de pele contra pele enchendo a cabine. Quando o orgasmo me atingiu, foi violento e doce ao mesmo tempo. Gemi seu nome alto, contraindo-me ao redor dele. Gustavo me acompanhou segundos depois, enterrando-se profundamente e gozando com um gemido grave, o corpo tremendo sobre o meu enquanto me apertava forte contra si.
— Bebe mais um pouco, meu amor — ele murmurou com a voz mansa, esticando o braço para pegar a taça que havia deixado na cabeceira da cama. — Quero que você relaxe totalmente e tenha a melhor noite de sono da sua vida.
Eu sorri, ainda anestesiada pelo prazer e pelo cansaço, e tomei o restante do champanhe que ele me ofereceu.
Gradualmente, porém, uma sensação estranha começou a rastejar pelo meu corpo. Minhas pálpebras ficaram pesadas, como se carregassem toneladas de chumbo. Minha mente, sempre afiada e alerta, começou a nublar de uma forma assustadora.
Os pensamentos se desfaziam em uma névoa densa e escura.
— Gustavo... — balancei a cabeça na almofada, tentando afastar a tontura repentina que me sufocava. — Acho que... o cansaço me pegou de jeito. Estou... com muito… sono.
Gustavo se inclinou sobre mim. O olhar dele, por um breve segundo antes de minha visão embaçar por completo, pareceu diferente. Frio. Distante. Uma expressão que eu nunca tinha visto na vida.
Ele deu um último beijo na minha testa, e sua voz pareceu vir de dentro de um túnel comprido e escuro:
— Descansa, minha promotora. Você teve uma noite perfeita. Agora, é hora de dormir. Eu te amo, Jullie. Nunca se esqueça disso.
Foi a última coisa que ouvi antes que a escuridão me tragasse para um abismo profundo, artificial e completamente sem sonhos.







