(Visão de Rodrigo)
A sala de reuniões no décimo andar era um aquário de vidro fosco, mas hoje o ar dentro era denso, pesado e quase irrespirável.
A luz branca e clínica refletia nos rostos pálidos em volta da imensa mesa de madeira escura. Eu estava à cabeceira, os dedos pressionando a superfície polida até as pontas ficarem brancas.
Do outro lado da tela de conferência, a voz do diretor de segurança cibernética, vinda de Zurique, era um filete de pânico contido.
"—… o ataque é coordenado e sofisticado. Eles contornaram a última camada de firewalls em menos de dez minutos. Estamos perdendo áreas de acesso uma a uma. Setor administrativo… logística…"
— E o setor de Pesquisa & Desenvolvimento? — minha voz saiu plana, cortante, interrompendo o relato. Todos os olhos na mesa se voltaram para mim, alguns piscando rápido, outros fixos no vazio do terror.
Houve uma pausa fatal do outro lado da linha.
"… É o próximo alvo lógico. As defesas do P&D estão… sob stress crítico. Estimamos uma brec