Virei pra ele.
— Fui salvar um cara de se afogar na praia. E acabei perdendo meu celular no mar.
Os olhos dele, que estavam semi-cerrados, se arregalaram de vez. Ele se sentou de repente, o cobertor escorregando.
— Tá zoando? Vocês tão bem? O cara?
— Tá vivo. Eu tô encharcada, e o meu celular também, provavelmente. — respondi, enxugando o rosto com a manga da blusa, que só piorou a situação.
— Puta que pariu, Mari. — ele balançou a cabeça, parecendo entre impressionado e preocupado. — Mas pelo menos deu tudo certo. O celular… aí é foda.
— Pois é. Agora tô sem. Nem pra pedir um Uber eu tinha. Vim de ônibus, pingando igual a um pinguim infeliz.
Paulo coçou a cabeça, pensativo.
— Olha… eu tenho aquele meu antigo. O touch meio zuado, a bateria não dura nada, mas liga. Se quiser, é teu por enquanto.
Fiquei parada olhando pra ele. Não era um celular novo, longe disso, mas era uma tábua de salvação.
Aquele gesto simples, sem nem pensar duas vezes, fez um calorzinho besta subir no meu peit