(Visão de Mariana)
A garagem de serviço da empresa era tão sombria e enorme quanto eu lembrava.
Cumprimentei o segurança com um aceno rápido, um cara novo, que não me conhecia e entrei, sentindo o coração bater mais rápido não pela subida que viria, mas pelo lugar.
O cheiro de concreto, óleo e desinfetante me trouxe uma enxurrada de memórias boas e ruins.
Meti os pés nas escadas de emergência e comecei a subir. Terceiro andar. Fácil.
No primeiro lance, já tava ofegante. No segundo, as pernas queimavam. No terceiro, eu estava me arrastando, me agarrando no corrimão frio, xingando mentalmente meu próprio sedentarismo.
— Preciso… começar… a correr… ou algo assim… — resmunguei entre um suspiro e outro.
Foi quando ouvi uma risada abafada vindo de cima.
— Tá precisando é de um personal, Mari. — a voz do Paulo, cheia de diversão, ecoou no vão estreito das escadas.
Levantei a cabeça e vi ele, com um sorriso de orelha a orelha, espiando por cima do parapeito. Sem cerimônia, ergui a mão e mos