Mundo de ficçãoIniciar sessãoSofia entrou em casa com passos silenciosos, tentando não incomodar a amiga, que já estava instalada na sala com uma série de filmes e snacks espalhados pelo sofá.
O ambiente familiar deveria acalmar-lhe os nervos, mas cada canto do apartamento parecia lembrá-la do toque e dos olhos de Alexandre no hotel. — Olá, Sofia! — cumprimentou Carolina, sorrindo de forma distraída, enquanto mergulhava num saco de pipocas. — Olá… — murmurou Sofia, esforçando-se para parecer descontraída. Carolina percebeu de imediato o olhar distante da amiga. Não insistiu; conhecia bem aqueles momentos em que Sofia precisava de estar sozinha. Sofia trocou o casaco por um roupão confortável, preparando-se para o momento que mais ansiava: estar no seu quarto e poder pensar sem filtros. No quarto, fechou a porta e encostou-se por um instante, respirando fundo. Cada detalhe daquele dia passava-lhe pela mente: o elevador, o toque dele na cintura, o olhar que parecia ler cada pensamento seu. O coração ainda batia acelerado, como se tivesse corrido uma maratona silenciosa. Sentou-se na cama, abraçando os joelhos e deixando que a imaginação vagueasse. A sensação do toque dele, mesmo breve, continuava a percorrer-lhe a pele como pequenas faíscas. Cada gesto, cada palavra, cada pausa na voz de Alexandre parecia gravada na memória. “É impossível não pensar nele…”, murmurou para si própria, num sussurro. O desejo e a curiosidade misturavam-se com uma ansiedade estranha, a sensação de que algo perigoso, mas irresistível, começara naquele encontro. Ela fechou os olhos e deixou a lembrança do cheiro dele, do calor do corpo tão próximo, preencher cada espaço do seu quarto. Por um momento, quase se permitiu imaginar o que aconteceria se não houvesse portas fechadas, elevadores ou olhares de terceiros para contê-los. Do outro lado da cidade, na imponente mansão de Alexandre, ele repousava na poltrona da biblioteca, uma taça de whisky na mão, a observar o irmão mais novo, Rafael, mexer em documentos na mesa de centro. O ambiente era familiar, seguro, mas os pensamentos dele voltavam-se, inevitavelmente, para Sofia. — Está distante hoje, irmão — comentou Rafael, percebendo o olhar perdido de Alexandre. — Só trabalho — respondeu Alexandre, com um meio-sorriso, mas a mente estava longe. Cada gesto dela naquele hotel, cada hesitação, cada olhar de desafio e curiosidade permanecia na memória dele como uma provocação irresistível. Ele sentiu algo que não podia chamar apenas de atração; era algo mais profundo, quase instintivo, como se o corpo e a mente exigissem a presença dela de forma urgente. Ele passou a mão pelo cabelo, pensativo, e permitiu-se admitir a si próprio o que ainda não tinha verbalizado: Sofia Duarte tinha-se infiltrado nele de uma forma que ninguém jamais conseguira. A tensão que sentira, o desafio silencioso, a força da personalidade dela misturada com vulnerabilidade, tudo isso fazia o coração dele bater de uma forma rara, inquietante. — Ela vai ser um problema interessante — murmurou, mais para si do que para Rafael, com um sorriso ligeiro, mas carregado de promessa. Enquanto a noite avançava, ambos permaneciam sozinhos nos seus mundos, mas conectados pelo eco de um encontro que transformara cada pensamento, cada desejo e cada expectativa em algo impossível de ignorar. Sofia no seu quarto, Alexandre na sua mansão, separados apenas pela cidade, mas unidos por algo silencioso, elétrico e perigoso. E a certeza deles era a mesma: este jogo tinha apenas começado.






