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capítulo 4- Perto demais

O elevador parecia pequeno demais para conter toda a tensão que pairava entre Sofia e Alexandre.

Cada passo que dava junto dele aumentava a consciência do próprio corpo, do perfume masculino dele, da forma como a presença dele dominava o espaço sem esforço.

— Sabe — começou ele, voz baixa, quase um sussurro, — há algo em ver alguém tão concentrada que me faz querer testar os limites da sua… atenção.

Sofia engoliu em seco. O coração batia acelerado, mas recusava ceder à intimidação.

— Limites? — perguntou, tentando soar firme, embora cada palavra tremesse ligeiramente.

Ele aproximou-se, tão perto que quase tocavam. Cada centímetro entre os corpos parecia carregado de eletricidade.

— Sim — disse ele, voz grave, tão próxima que Sofia podia sentir a vibração das palavras na pele. — O quanto consegue manter o controlo quando a distração surge.

Um leve toque da mão dele no braço dela, quase imperceptível, fez um arrepio subir-lhe pela espinha. Não era um toque de apoio ou casualidade; era medido, intencional, provocador.

— Está a brincar comigo — disse Sofia, tentando afastar a mente da sensação que o toque deixou.

— Não estou — respondeu Alexandre, inclinando-se ligeiramente para a frente. — Estou a estudar a reacção. Interessante. Muito interessante.

Ela sentiu a respiração dele próxima do seu rosto, o calor dele a envolver-lhe o ombro e o pescoço. Cada palavra que saia da boca dele tinha dupla intenção, cada olhar parecia perfurar a própria mente dela.

Sofia lutava contra a vontade de recuar, mas ao mesmo tempo, havia algo irresistível naquele jogo. Algo que a fazia querer desafiar cada provocação, cada gesto.

— Então… acha que consegue resistir à tentação? — murmurou ele, com um sorriso contido, tão próximo que ela podia sentir o hálito dele.

Ela engoliu, consciente do efeito que ele tinha sobre si, do rubor que subia à face, da forma como o coração batia rápido demais.

— Depende… da tentação — respondeu, num fio de voz, surpreendendo-se com a própria ousadia.

Alexandre aproximou-se ainda mais, o corpo dele encostando quase sem tocar, apenas deixando o calor espalhar-se, fazendo com que cada músculo dela se esticasse involuntariamente. Um dedo dele passou suavemente pelo dorso da mão dela, subindo até aos pulsos. Sofia sentiu a eletricidade percorrer-lhe o corpo.

— Bom — disse ele, a voz baixa e rouca, quase um sussurro que só ela podia ouvir —. Parece que teremos de continuar este… estudo.

Sofia tentou falar, mas a garganta seca traiu-a. Apenas assentiu, consciente de que aquele toque, aquele olhar, tinham cruzado uma linha que não podia ignorar.

O elevador parou no andar dela, mas nenhum dos dois se moveu imediatamente. A tensão pairava, carregada de desejo e curiosidade, cada segundo alongando-se até parecer eterno.

Quando ela finalmente se virou para sair, sentiu os dedos dele roçarem a lateral da sua mão numa despedida silenciosa, quase imperceptível, mas suficiente para deixar um rasto de calor que a deixou tremendo.

— Até mais, Sofia — murmurou ele, a voz baixa e provocadora, deixando no ar uma promessa silenciosa.

Ela saiu, mas cada passo que dava até ao corredor parecia insuficiente para a afastar da presença dele. Sabia que este jogo tinha apenas começado. Sabia que a tentação iria crescer, e que resistir a Alexandre Valente seria cada vez mais difícil.

E naquele instante, Sofia percebeu: não queria resistir.

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