CAPÍTULO 16
Helena Baldin
A água já não estava quente quando Dante me deixou ali, apoiada nos azulejos, tentando recuperar o ar e principalmente a sanidade. Eu tremia, mas não era de frio. Era da consciência tardia do que tinha acabado de acontecer, ou melhor, do que eu tinha permitido acontecer.
Eu fiquei.
Ele me ofereceu uma saída.
Eu poderia ter saído.
Poderia ter fugido dele, daquela casa, daquele mundo.
Mas eu fiquei.
E nenhuma parte de mim conseguiu mentir para si mesma sobre o motivo.
Enrolei-me na toalha minutos depois e saí cambaleando do banheiro como alguém que tinha esquecido o próprio nome. A camisa dele ainda pingava quando Dante deixou o box, e a imagem ficou presa na minha mente como um pecado proibido que eu ainda saboreava deliciosamente.
Fiquei parada perto da cama por alguns instantes, olhando o quarto que ainda não parecia meu, por mais que meu perfume já tivesse tomado conta de tudo. Senti o coração bater rápido, um ritmo que não combinava com a Helena que eu co