5. Evite Olhar Para Ele

Sarah narrando:

Entrar na casa deveria ter me trazido alívio. Era meu lugar agora. Meu futuro. Minha vida com Robert. Mas, naquele momento, tudo parecia diferente. Como se o ar estivesse mais pesado. Como se cada passo ecoasse alto demais.

E eu sabia exatamente o motivo.

John.

Eu sentia a presença dele mesmo sem olhar. Era estranho. Incômodo. Quase físico. Como se meu corpo soubesse onde ele estava o tempo todo.

Robert continuava falando animado ao meu lado, perguntando sobre a prova do vestido, comentando sobre os ajustes finais, sobre a data que se aproximava. Eu respondia automaticamente, tentando manter o sorriso, tentando parecer normal.

Mas minha atenção sempre voltava para ele.

John estava encostado perto da janela, braços cruzados, observando a conversa em silêncio. Não parecia interessado, mas também não estava distante. Era como se estivesse apenas… analisando.

Quando nossos olhos quase se encontraram, desviei imediatamente.

Meu coração acelerou.

Aquilo era absurdo.

Eu ia me casar com Robert. Em poucas semanas. Minha vida estava decidida. Planejada. Segura. Não havia espaço para aquele tipo de reação.

— Está tudo bem? — Robert perguntou, tocando minha mão.

— Sim… só estou com calor — respondi rápido.

Ele sorriu.

— Quer alguma coisa gelada?

— Eu pego.

Levantei antes que ele insistisse. Precisava me afastar. Precisava respirar. Caminhei até a cozinha tentando ignorar a sensação de que ele me observava.

Abri a geladeira e peguei uma garrafa de água. Minhas mãos estavam um pouco trêmulas. Apoiei o copo na bancada e respirei fundo. O silêncio da cozinha era reconfortante.

Até eu sentir alguém entrar.

Não precisei me virar para saber quem era.

— Você não contou.

A voz grave atrás de mim fez meu coração disparar.

Fechei os olhos por um segundo antes de me virar. John estava encostado no batente da porta, exatamente como tinha feito na estrada. Braços cruzados. Expressão calma. Olhos verdes fixos em mim.

— Não tinha o que contar — respondi, tentando manter a firmeza.

Ele inclinou levemente a cabeça.

— Quatro caras te cercando parece algo.

Engoli seco.

— Já passou.

— Passou porque eu parei.

O silêncio caiu entre nós.

Eu odiava o fato de ele estar certo.

— Não quis preocupar o Robert — falei.

— Ou não quis que ele te proibisse de sair sozinha.

Aquilo me irritou.

— Você não me conhece.

— Conheço o suficiente.

Meu coração acelerou. Dei um pequeno passo para trás, apoiando-me na bancada. Ele continuava parado, mas a cozinha parecia pequena demais.

— Obrigada pelo carro — falei, tentando encerrar o assunto.

Ele me observou por um instante.

— Você ficou com medo.

Não era uma pergunta.

Desviei o olhar.

— Qualquer pessoa ficaria.

— Você não parecia qualquer pessoa.

Levantei os olhos novamente. Ele ainda me encarava. Sem pressa. Sem constrangimento. Aquilo me deixava nervosa.

— Você também não parecia — respondi antes de pensar.

Ele franziu levemente a testa.

— Não parecia o quê?

— Alguém que só estava ajudando.

O silêncio ficou mais pesado.

Ele deu um passo para dentro da cozinha.

Meu corpo inteiro ficou alerta.

— E parecia o quê?

Eu não devia responder.

Não devia continuar aquela conversa.

Mas respondi.

— Parecia… que sabia que eles iam voltar.

Ele não negou.

— Eu já vi esse tipo de situação antes.

O jeito como falou me fez arrepiar.

— Você vive na estrada… — murmurei.

— Sim.

— Deve ver muita coisa.

— Mais do que gostaria.

Ficamos em silêncio por alguns segundos. Eu conseguia ouvir minha própria respiração. O som distante da voz de Robert na sala. O tic-tac do relógio na parede.

— Você devia contar a ele — John disse.

— Não.

— Ele é seu noivo.

— Justamente.

Ele me observou por mais um momento.

— Você não quer que ele te prenda aqui.

Aquilo me atingiu.

— Eu não estou presa.

— Ainda não.

Meu coração disparou.

— Você não sabe nada sobre nós.

— Sei que você não contou.

O silêncio voltou.

Ouvi passos na sala e me afastei rapidamente, pegando o copo de água como desculpa.

— Melhor voltarmos.

Passei por ele, mas a proximidade fez meu corpo reagir. Senti o calor dele. O perfume leve de graxa e vento. Meu coração acelerou de novo.

Voltei para a sala tentando me recompor. Sentei ao lado de Robert, que continuava falando sobre o casamento. Eu assentia, mas minha mente estava longe.

Senti quando John entrou.

Não olhei.

Mas sabia que ele estava ali.

Em um momento, sem querer, levantei os olhos. Nossos olhares se encontraram. Foi rápido. Intenso. Ele não desviou.

Eu desviei.

Apertei levemente a mão de Robert, como se aquilo pudesse me lembrar da realidade.

Mas algo já tinha mudado.

E eu não sabia como ignorar isso.

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