4. Algo Errado

John narrando:

Eu não devia ter vindo.

Essa foi a primeira coisa que pensei depois que a porta do quarto deles se fechou no andar de cima.

O silêncio da casa parecia mais pesado do que antes. Minha mãe continuava na cozinha, guardando a louça, Robert subiu animado, sem perceber nada. Tudo parecia normal.

Mas não estava.

Não para mim.

Eu ainda sentia a mão dela na minha. Pequena. Quente. Tremendo quando toquei sua pele. E o pior… ela não puxou imediatamente.

Ela também me reconheceu.

Não precisei perguntar. O olhar dela disse tudo. O mesmo susto. A mesma tensão. A mesma lembrança da estrada.

A noiva do meu irmão.

Droga.

Passei a mão pelos cabelos e saí para a varanda. O ar da noite estava mais fresco, mas não o suficiente para acalmar a inquietação dentro de mim. Encostei na madeira e olhei para o escuro da propriedade.

Eu tinha rodado quilômetros. Dias dirigindo. Estradas intermináveis. E, no fim, o destino me jogava exatamente naquela situação.

Logo ela.

Logo a mulher que eu não conseguia tirar da cabeça desde a rodovia.

Eu lembrava dela parada ao lado do carro. O medo nos olhos. O corpo tenso quando aqueles caras se aproximaram. O jeito como me abraçou sem pensar.

E o modo como me olhou depois.

Não era apenas gratidão.

Eu conhecia aquele olhar.

E ela também sabia.

Ouvi passos dentro da casa. Minha mãe apareceu na porta, sorrindo.

— Pensei que você estivesse cansado.

— Só precisava de ar.

Ela me observou por um instante.

— A Sarah é uma boa moça.

Meu maxilar travou.

— Parece ser.

— Robert gosta muito dela. E ela dele.

Assenti.

Não confiava na minha voz.

Ela voltou para dentro. Fiquei sozinho novamente. O silêncio voltou, mas agora era pior. Porque minha mente insistia em repetir cada detalhe do jantar.

Ela quieta demais.

Ela evitando me olhar.

Ela mexendo nervosamente na aliança.

Ela prendendo a respiração quando nossos olhos se encontravam.

Ela sentiu.

Isso tornava tudo mais complicado.

Subi os degraus devagar. O corredor estava escuro. Passei pelo quarto deles. A porta fechada. Luz apagada.

Parei por um segundo.

Aquilo era errado.

Continuei andando.

Meu quarto ficava no fim do corredor. Joguei a mochila no chão e me sentei na beirada da cama. Passei as mãos no rosto, tentando afastar os pensamentos.

Ela era a noiva do meu irmão.

Meu irmão, que me abraçou feliz minutos antes.

Meu irmão, que confiava em mim.

Meu irmão, que não fazia ideia.

Levantei e fui até a janela. A lua iluminava parte da fazenda. O silêncio era absoluto. Mas minha cabeça continuava barulhenta.

Eu não devia ter reparado nela.

Mas reparei.

No cabelo castanho.

Na pele delicada.

Na forma como a voz dela ficou baixa quando me reconheceu.

Na respiração acelerada quando toquei sua mão.

Droga.

Deitei, mas não consegui dormir. Fechei os olhos e imediatamente a imagem dela voltou. Na estrada. No jantar. Na varanda. Em todos os lugares.

Virei de lado, irritado comigo mesmo.

Isso não podia acontecer.

Eu ficaria pouco tempo. Apenas uma visita rápida. Depois voltaria para a estrada. Era o melhor a fazer. Manter distância. Não complicar as coisas.

Simples.

Mas então lembrei de algo.

Quando Robert colocou o braço ao redor dos ombros dela, ela ficou rígida por um segundo. Quase imperceptível. Quase ninguém notaria.

Eu notei. E aquilo me incomodou mais do que deveria. Porque significava que não era só comigo. Ela também estava mexida.

Soltei o ar devagar.

Isso tornava tudo perigoso. Muito perigoso.

Fechei os olhos novamente, tentando dormir. Mas, pela primeira vez em muito tempo, a estrada não estava na minha cabeça.

Era ela.

A mulher que eu conheci por acaso.

A mulher que o destino colocou no meu caminho.

A mulher que agora dormia no quarto ao lado.

Com o meu irmão.

E, mesmo sabendo disso… eu não conseguia parar de pensar nela.

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