82. O Som do Descompasso
Sarah narrando:
O choro de David não era o de costume. Não era fome, nem manha. Era um som agudo, de sofrimento, que parecia perfurar meus tímpanos e chegar direto ao meu peito. Quando encostei a mão na sua testa, senti o calor abrasador. Ele estava queimando em febre, a pele úmida de suor e os olhos verdes — aquela herança viva que eu escondia do mundo — estavam nublados e sem foco.
— Susy! Ele está ardendo! — gritei, o pânico tomando conta da minha voz.
A lanchonete estava lotada. O ba